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Financiar a economia azul: articular fundos de investimento com o ecossistema de inovação

Ativar o conhecimento para gerar inovação catalisadora de negócios com elevada rentabilidade e alto desempenho ESG: é este o principal alimento dos novos fundos de investimento que estão aí.

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A escassez de financiamento especializado na economia azul foi constantemente apontada como um dos principais calcanhares de Aquiles para o mar se afirmar como um verdadeiro motor de geração de elevado valor acrescentado empresarial em Portugal.

 

Eis que o panorama nesse domínio está a mudar drasticamente. Não só no domínio público, mas sobretudo no privado. Pois foi nesta semana que foi lançado o primeiro fundo de investimento privado português focado na economia azul, o Indico Blue Fund, por iniciativa de Stephan Morais, CEO da Indico Capital Partners, entidade associada do Fórum Oceano | Cluster do Mar Português.

 

Tendo um "target" de 50 milhões de euros, estão já disponíveis 36 milhões de euros para investir em start-ups azuis portuguesas, de todos os setores. Se a esta iniciativa juntarmos a do fundo Portugal Blue, proveniente de uma parceria entre o Fundo de Investimento Europeu e o Fundo Azul do Estado português, do Ministério do Mar, são mais 50 milhões (que poderão chegar a 75 milhões) de euros prontos a serem usados para financiamento empresarial. Ou seja, em 2022 temos já disponível uma razoável quantia de 86 milhões de euros para aplicação em "private equity" de start-ups azuis portuguesas.

 

Contudo, há quem afirme que este volume é insuficiente. E é verdade. Mas também é verdade que até agora o panorama era "zero euros" para financiamento especializado para a economia azul na modalidade de "private equity".

 

Portanto, poder-se-á também perguntar: mas onde estão os projetos empresariais para este capital ser aplicado?

 

Esse é o outro grande desafio que temos pela frente: dinamizar um ecossistema de inovação que seja capaz de alimentar o "pipeline" de investimento destes fundos com negócios de elevada qualidade, assentes na tecnologia e na sofisticação dos modelos de geração de rentabilidade, com alto desempenho ESG.

 

É por isso crucial que a Rede de Hubs Azuis prevista no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) funcione numa lógica de "fábrica de unicórnios" azuis – isto é, focada em testar para investir e não em testar para fins exclusivamente académicos. Ativar o conhecimento para gerar inovação catalisadora de negócios com elevada rentabilidade e alto desempenho ESG: é este o principal alimento dos novos fundos de investimento que estão aí.

 

Além disso, é também fulcral que a Rede de Hubs Azuis opere de forma articulada com a nova capacitação tecnológica da Marinha Portuguesa prevista no PRR, para assim disponibilizar ao mercado uma infraestrutura de inovação tecnológica completa, integrada, utilizável por todos os setores da economia azul.

 

E não esquecer também a articulação com iniciativas que visem estruturar ecossistemas de inovação à escala europeia, como o Atlantic Smart Ports Blue Acceleration Network (AspBAN). Liderado pela empresa portuguesa Beta-i, e recentemente eleito pela comissária europeia Elisa Ferreira como "flagship project" da Estratégia do Atlântico da UE, este projeto visa criar uma rede de aceleração de start-ups azuis à escala transatlântica, usando os portos como hubs de desenvolvimento destas novas empresas. Com 33 portos de Portugal, Espanha, França, Irlanda, Holanda, Noruega, Finlândia, Rússia, Canadá, Colômbia e Mauritânia ativamente envolvidos, em 2022 irá ser lançado um programa de aceleração assente nos 147 desafios de inovação identificados. O objetivo é selecionar 30 start-ups, a partir de uma "pool" inicial de 450, as quais irão implementar 30 pilotos de novos negócios em 30 portos.

 

Portanto, é absolutamente fulcral multiplicar as iniciativas de aceleração de start-ups e de PME "mid-caps", para que os "pipelines" dos fundos de investimento sejam dinamicamente alimentados com projetos de elevada qualidade. E assim, investimento a investimento, a economia azul tornar-se-á numa efetiva força transformadora da economia portuguesa.

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