Sandra Clemente
Sandra Clemente 01 de setembro de 2016 às 00:01

 Os filhos dos incentivos

"Portugal in a doom loop" foi por 3 minutos rodapé na Bloomberg em 18 de Agosto. A 30, o FT falou pela primeira vez das semelhanças com a crise de 2011.

As causas da desconfiança são conhecidas, reversão de reformas, economia e produtividade que não crescem, o investimento foge. Indiferente, o Governo anuncia todos os dias uma despesa ou uma forma de imposto e um dia alguma instituição cansa-se da brincadeira. Há gerações perdidas por muitos motivos. A minha, em plena vida ativa, ficará perdida entre crise e resgates. O governo dinamarquês reviu a previsão de crescimento e para reanimar a economia anunciou corte de impostos e o aumento da idade da reforma. A pensar nos dois biliões de millennials e nos 2,4 de centennials no mundo - com esperança de vida de 100 anos e que, ganhando agora pouco, triplicarão os seus rendimentos em 15 anos - o Bank of América apresentou uma lista de ações em que investir de acordo com as tendências dessas gerações.

Mas em Portugal elas não têm essas perspetivas. Aqui, o Governo cria incentivos para senhorios de cariz social; o PCP, ignorando o progresso tecnológico, diz que a Caixa precisa de trabalhadores e de mais balcões (para quê?). Os excedentários farão "valorização profissional" e se em três meses não forem colocados noutro serviço, voltam ao seu ministério, com a mesma categoria e salário embora não tenham que fazer. Os sindicatos da função pública pedem mais incentivos para a mobilidade voluntária. O BE diz que tem um compromisso com o fim do empobrecimento, mas só de quem depende do Estado, porque o nível de impostos a pagar lhe é indiferente e ainda agora congelou rendas por mais cinco anos. Se Bowie fosse vivo dedicava-nos o Heroes: ainda que fantasiem estão a tornar-nos dependentes e sem perspetivas.

 

Jurista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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