Sandra Clemente
Sandra Clemente 26 de outubro de 2016 às 21:05

Há alguma esperança nisto

Das muitas coisas porque é importante que Hillary Clinton seja a próxima Presidente dos Estados Unidos da América uma delas é porque ver uma mulher Presidente do país mais poderoso do mundo dá esperança.

Conversei, acidentalmente, com Leonor Beleza, há pouco tempo, sobre mulheres e poder. Ela, que é uma mulher poderosa em Portugal, nunca disse que não notou nenhum problema de desigualdade, nem desvaloriza o assunto, continua impassível a lutar pelo poder das mulheres apesar dos progressos feitos. Dá alguma esperança ver isto, porque percebemos que há uma espécie de solidariedade feminina e geracional. Mais ainda quando os dados do The Global Gender Gap Report 2016, que o Fórum Económico Mundial publicou anteontem, mostram que a igualdade de género económica demorará 170 anos a ser atingida, que as mulheres ganham, em média, pouco mais de metade do que os homens, apesar de em geral trabalharem mais horas; que o setor em que a diferença de género é mais pronunciada, o poder político, é também aquele em que se verificaram mais desenvolvimentos desde 2006; que o número de mulheres em postos de responsabilidade é baixo: só quatro países no mundo têm o mesmo número de mulheres e homens deputados ou altos funcionários, apesar de em 95 países a formação universitária ser igual.

 

Das muitas coisas porque é importante que Hillary Clinton seja a próxima Presidente dos Estados Unidos da América uma delas é porque ver uma mulher Presidente do país mais poderoso do mundo dá esperança. Dá-nos a nós que lutamos por igualdade de oportunidades "tout cour", dá às mulheres que vivem em países em que não somos pessoas, dá-nos quando sabemos que líderes que não aceitam mulheres como pares vão ter de lidar com ela como igual e que a política é um espelho da sociedade. Mas, a esperança que dá não nos pode deixar esquecer que em Portugal teremos de continuar a trabalhar. Estes são os nossos números: 31.º lugar em 144 países, descemos de posição nos índices de participação e oportunidade económica 46.º, formação académica, 63.º; saúde e sobrevivência, 76.º; e "empowerment" político 36.º.

 

Jurista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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