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À espera que algo aconteça

Se costuma ler as notícias que a comunicação social que dedica a sua atenção aos mercados financeiros produz, decerto já reparou que os "dias seguintes" são sempre muito importantes e que os investidores continuam à espera daquela notícia pela qual todos aguardam.

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Se costuma ler as notícias que a comunicação social que dedica a sua atenção aos mercados financeiros produz, decerto já reparou que os "dias seguintes" são sempre muito importantes e que os investidores continuam à espera daquela notícia pela qual todos aguardam.


Faz parte do circo dos mercados financeiros esta urgência em encontrar acontecimentos decisivos para os mercados. É isso que capta a atenção, dia após dia, dos apaixonados pela bolsa e que procuram seguir, quase em tempo real, as notícias que vão marcar os dias dos mercados.


Este processo ainda é mais visível quando as sessões de bolsa são desinteressantes, com os índices a fecharem quase neutros. As notícias são, invariavelmente, deste género: "As bolsas fecharam praticamente sem variação, com os investidores na expectativa sobre os dados X ou sobre o acontecimento Y que acontecerá nos próximos dias". Acredito que este género de pseudo-justificações faça parte de algum manual de comentários sobre Bolsa, mas não é assim que se movem os mercados.


O que me preocupa é que a esmagadora maioria dos investidores (e este não é um fenómeno português apenas), ao longo dos anos, vai criando percepções erradas da forma como se movem os mercados. Aliás, a estupefacção da maioria dos investidores portugueses sobre a subida da bolsa num momento em que as más notícias enchiam as páginas de jornais e os ecrãs de televisão é um excelente exemplo disso.


O importante é dizer-se alguma coisa que faça parecer que os mercados estão pendentes daquilo: ou as decisões da troika, ou o clima de tensão no médio Oriente, ou a decisão do Tribunal Constitucional, ou a apresentação de resultados da Xin-Lia-Un (empresa chinesa criada exactamente nesta altura, de uma forma virtual, por este vosso escriba). O mundo dos mercados parece sempre suspenso por algo que vai acontecer, bem ao jeito de uma telenovela líder de audiências.


O problema é que a maior parte das vezes não se passa nada nos mercados e há que encontrar justificações para isso. É isso que os espectadores e leitores querem - explicações para tudo, mesmo quando não se passa nada. E se se conseguir criar a expectativa para o que vem aí, ainda melhor. Mesmo que não seja assim que os mercados funcionem, na realidade.


Por isso, não me surpreende que, em conversa com muitos investidores, recorrentemente me dizem que não compraram/venderam porque estão à espera do que pode acontecer em relação a um determinado evento. E, depois desse acontecimento ter passado, dizem o mesmo em relação a outro qualquer evento. O medo de errar em função de um acontecimento que todos dizem ser determinante acaba por inibir os investidores de tomar a decisão certa. Não os censuro. São anos a ouvir e a ler comentários do género.


E, agora, perdoem-me mas tenho de estar atento aos mercados porque vão ser divulgados uns números que todos dizem que vão ser decisivos para os próximos meses nas principais bolsas mundiais…

 

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Nem Ulisses Pereira, nem os seus clientes, nem a DIF Brokers detêm posição sobre os activos analisados. Deve ser consultado o disclaimer integral aqui


Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com

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