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A euforia invisível

O ano que agora terminou foi excelente para a bolsa portuguesa. Desde 2009 que a praça portuguesa não subia tanto e isso fez com que alguns investidores voltassem a acreditar no nosso mercado.

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(Comente aqui o artigo de Ulisses Pereira)

 

O ano que agora terminou foi excelente para a bolsa portuguesa. Desde 2009 que a praça portuguesa não subia tanto e isso fez com que alguns investidores voltassem a acreditar no nosso mercado. A economia nacional começou também a dar os primeiros sinais positivos, confirmando o que o mercado accionista antecipou no Verão de 2012, altura em que se iniciou o actual "Bull Market". Os telejornais deixaram de abrir todos os dias com más notícias e começaram também a aparecer notícias (poucas) positivas sobre o nosso País.


Mas, mais do que balanços e retrospectivas, aquilo que todos querem saber é o que se vai passar no ano que agora começa. Confesso que também gostava de saber. Ninguém sabe o que vai fazer o mercado, embora muitos acreditem ter esse poder. Mas eu continuo optimista em relação à bolsa portuguesa, tal como estou desde Junho de 2012, num dos mais felizes artigos que escrevi até hoje. Tinham sido cinco anos a escrever artigos pessimistas e a mudança na minha posição foi arrojada mas certeira.


Na altura escrevi que "para muitos, é impensável que a bolsa portuguesa possa subir nas actuais condições económicas do nosso País. Mas quem acompanha os meus artigos sabe que tenho escrito frequentemente que a nossa bolsa irá começar a subir ainda o país estará mergulhado numa recessão e com taxas muito elevadas de desemprego e descontentamento social. Esta é uma das características dos mercados financeiros e não uma qualquer teoria nova por mim criada."


Nesse Verão de 2012, uma das principais razões pelas quais me tornei optimista foi o facto do pessimismo atingir valores extremos. E a reacção a esse artigo foi violentíssima, com dezenas de mails de leitores revoltados contra o facto de eu estar optimista naquela conjuntura. É interessante que agora comece a ler bastantes opiniões, tentando alertar para o oposto, ou seja, que a subida da bolsa portuguesa esteja a trazer de volta o optimismo e a euforia e que isso é sinal que o final deste ciclo de subidas esteja à porta. Entendo o argumento, mas estou longe de concordar que seja esse o actual sentimento em relação à bolsa portuguesa.


Euforia foi quando, em 2000, a minha empregada doméstica - que não sabia ler, nem escrever e que nunca falou comigo sobre qualquer tema económico - me disse que as acções da PT estavam boas para comprar. Euforia foi quando, no Verão de 2007, a TVI me entrevistou e tive direito a quatro minutos no "Jornal Nacional" a falar sobre bolsa. Euforia é quando a subida da bolsa portuguesa abre telejornais e faz capa de revistas. Euforia é quando amigos que nunca falaram de bolsa comigo o começam a fazer. É verdade que os últimos 18 meses de subidas (bem como a privatização dos CTT) trouxeram novos investidores ao mercado e o regresso de alguns que estavam ausentes, mas estamos bem longe dos cenários de euforia que aqui descrevi.


Continuo, por isso, sem qualquer motivo para deixar de estar optimista. Ao longo destes 18 meses, não vi qualquer sinal de fraqueza suficientemente grande que me fizesse mudar o meu estado de espírito, bem pelo contrário, o mercado foi dando sinais de força sucessivos. Sem euforias, mas com consistência.


Apesar disso, como em todas as minhas análises, faço questão de referir o que é que me fará mudar de opinião. O primeiro sinal de fraqueza que me faria despir metade do meu fato de touro (ou seja, que me faria refrear um pouco o meu optimismo) seria a quebra da zona dos 6.100 pontos, pois significaria que aquilo que aconteceu há algumas semanas atrás teria sido uma falsa ruptura da resistência dos 6.300/6.400 pontos. O segundo sinal que me faria despir por completo o meu fato de touro (tornando-me neutro no mercado) seria a quebra da zona de suporte entre os 5.550 e os 5.700 pontos.


Enquanto isso não acontecer, eu continuo optimista em relação à bolsa portuguesa. É verdade que é bem mais confortável agora em que os sinais positivos começam a aparecer do que há um ano e meio atrás, quando tudo parecia caminhar para o abismo. Mas confesso que me deu uma especial satisfação ter-me tornado optimista nessa altura em que a minha análise mais pareceu um acto de insanidade do que de racionalidade.


Que 2014 vos traga tudo o que desejam e, já agora, que este "Bull Market" continue. É bem mais agradável andar com este fato de touro vestido do que com aquele sombrio fato de urso que vesti entre 2007 e 2012. E assenta-me bem melhor.

 

 

 

Nem Ulisses Pereira, nem os seus clientes, nem a DIF Brokers detêm posição sobre os activos analisados. Deve ser consultado o disclaimer integral aqui


Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com

 

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