Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Ulisses Pereira ulissespereira@hotmail.com 28 de Maio de 2012 às 10:02

As questões chave do Facebook

Se está a ler este artigo no "site" do jornal de Negócios, é muito provável que seja utilizador do Facebook.

  • Assine já 1€/1 mês
  • 2
  • ...
Se está a ler este artigo no "site" do jornal de Negócios, é muito provável que seja utilizador do Facebook. Estima-se que mais de 80% dos utilizadores de Internet em Portugal sejam utilizadores desta rede social, um número impressionante mas que está em linha com o que se passa na maior parte dos países ocidentais.

A OPV (Oferta Pública de Venda) do Facebook gerou uma onda de enorme entusiasmo dada a identificação que muitos investidores têm com a rede social. Talvez por isso, muitos esperavam uma valorização fantástica nos primeiros dias de negociação. Puro engano. A acção está a perder cerca de 15%, para infelicidade de todos aqueles que compraram acções na OPV.

Nos fóruns, há investidores a dizer que tudo isto foi uma fraude. No entanto, acho que é importante que as pessoas percebam exactamente o que é uma OPV: Uma operação em que os detentores de uma empresa vendem uma percentagem da mesma a novos investidores. É por isso, natural, que o preço definido seja aquele que maximiza a receita que podem obter. Naturalmente, não fosse o Facebook uma empresa tão desejada e o preço teria sido bastante mais baixo.

Os investidores têm que perceber que as mais-valias não são garantidas e os portugueses sabem bem do que falam, face ao fracasso que foram tantas OPV no mercado português, algumas que levaram os investidores a perder mais de 90% na década passada.

Estas operações mostram um dos calcanhares de Aquiles da análise técnica. Uma vez que não há histórico no mercado, não é possível fazer nenhuma análise técnica e é por isso que, apesar dos pedidos insistentes dos meus amigos, nestas ocasiões, nunca dou qualquer conselho em relação a acções que vão ser colocadas em Bolsa.

Muitos dizem que esta é uma bolha semelhante aquela que se viveu em 2000. Discordo. É verdade que muitas destas avaliações têm por base expectativas bastante altas mas, no início da década passada, quase todas as semanas havia OPV de empresas que nunca tinham tido lucros e alguns nem sequer receitas… O Facebook tem 900 milhões de utilizadores e estima-se que, em 2020, possa ter 2 mil milhões. Nos últimos 3 anos, triplicou os seus lucros que já ascendem a mil milhões de dólares.

A verdade é que, apesar destes números impressionantes, a acção foi para o mercado incorporando expectativas de crescimento dos lucros brutais e, para muitos, impossíveis de alcançar. O modelo de negócio do Facebook continua muito dependente da publicidade e a grande arma da empresa é a capacidade do mesmo conseguir traçar um perfil muito exaustivo de cada utilizador em função dos seus gostos e publicações. Além disso, por exemplo, um utilizador do Facebook passa 5 vezes mais tempo na rede social do que no Google. No entanto, ainda em comparação com o Google, os utilizadores do Facebook clickam nos anúncios apenas um décimo das vezes do que fazem no motor de pesquisa.

Em termos de curto prazo, acho que é impossível fazer qualquer previsão. No entanto, para quem quer investir numa óptica de longo prazo, há 4 questões essenciais cuja resposta pode ser decisiva para encarar as acções do Facebook como um bom ou mau investimento:

Continuarão as redes sociais a ser a moda que são na actualidade?
Se o não forem, todas as projecções feitas caem por terra.

Continuará o Facebook a ter um domínio avassalador das redes sociais?
Parece impensável que tal não suceda, mas no mundo da Internet tudo muda muito rapidamente e, se tiver um concorrente à altura, isso significa que todas as estimativas de futuras receitas estão sobreavaliadas.

Como conseguirá rentabilizar o acesso dos utilizadores ao Facebook via telemóvel?
Até agora, dada a reduzida dimensão do ecrã dos telemóveis, o Facebook não tem colocado publicidade nesses acessos mas a explosão do acesso à Internet via esses dispositivos fazem com que hoje mais utilizadores acedam ao Facebook via telemóveis do que através de computadores. Os ursos dirão que esse é um "handicap" que, por si só, impedirá os resultados de crescerem exponencialmente, enquanto os touros dirão que está ali uma grande oportunidade para conseguirem crescer, quando descobrirem a melhor forma de obterem receitas para aquele segmento do mercado.

Como equilibrará, Marck Zuckerberg, a dicotomia entre a satisfação dos utilizadores e as receitas?
Até aqui o jovem criador da rede social privilegiou os utilizadores e essa tem sido a chave de sucesso de todo este projecto. Mas, a partir da entrada de Sheryl Sandberg, a antiga quadro da Google, o Facebook começou a preocupar-se mais em obter receitas, de forma a torná-lo não apenas um site de sucesso mas também um negócio de excelência e só isso permitiu que hoje em dia as receitas tenham triplicado nos últimos 3 anos.

Zuckerberg continua a deter mais de metade do Facebook. Conseguirá ele lidar com a pressão dos grandes accionistas em busca do lucro? Continuará ele a afirmar que o mais importante de tudo é a satisfação dos utilizadores e a revolução que o Facebook criou? Perguntas que serão decisivas para o desempenho, no longo prazo, das mais jovens acções da Bolsa norte-americana. O jovem de 28 anos conseguiu, durante anos, resistir à tentação de vender o site, recusando ofertas de 1 milhão de dólares, 750 milhões e 2 mil milhões. Hoje, o Facebook está avaliado em mais de 100 mil milhões de dólares. Caso os pessimistas tenham razão e os dias de sucesso do Facebook na Bolsa nunca chegarão, Marck Zuckerber, pela primeira vez na vida, terá provado que tem tanto olho para o negócio como para revolucionar a nossa vida virtual.



Nem Ulisses Pereira, nem os seus clientes, nem a DIF Brokers detêm posição sobre os activos analisados. Deve ser consultado o disclaimer integral aqui


Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com
Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias