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Ulisses Pereira ulissespereira@hotmail.com 03 de Setembro de 2012 às 10:43

Contra tudo e contra todos, um Verão de subidas

Quando, há cerca de dois meses atrás, escrevi um artigo em que manifestava o meu optimismo para os próximos tempos na Bolsa portuguesa não estranhei a reacção que esse meu texto gerou.

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"There she goes
There she goes again."
Música original dos The la`s


Quando, há cerca de dois meses atrás, escrevi um artigo em que manifestava o meu optimismo para os próximos tempos na Bolsa portuguesa não estranhei a reacção que esse meu texto gerou. Os leitores manifestaram a sua incredulidade perante essa minha tomada de posição e a grande maioria discordava da minha opinião pois a grave crise económica e social que atravessa o país impedia, segundo a maioria, de podermos pensar em recuperações na Bolsa portuguesa.

Um dos argumentos utilizados por mim nesse artigo era a ruptura, em alta, da zona dos 4700 pontos. Passado uns dias o mercado tratou de vir abaixo dessa zona, colocando em causa esse pressuposto mas, uma semana depois, já tinha recuperado essa importante zona voltando ao caminho das subidas que tem marcado os últimos dois meses e meios da Bolsa portuguesa.

Por muito que custe a aceitar, face à dura realidade económica que os nossos olhos observam e ao crescente número de desempregados no nosso país, a Bolsa portuguesa está a subir. Não quero prognosticar o final do "Bear Market" - só a ruptura da resistência dos 5700 pontos no PSI me fará dizer isso - mas, tal como venho a frisar ao longo dos últimos meses, não esperem que o "Bull Market" se inicie com a taxa de desemprego a reduzir ou com a economia portuguesa a crescer. Será quando a população portuguesa continuar a sofrer na pele a dureza da crise económica que a Bolsa nacional inverterá definitivamente.

No entanto, confesso que sinto alguma satisfação pelo meu optimismo dos últimos meses vir acompanhado de alguns sinais de esperança da economia portuguesa. Um deles é a evolução da taxa de juro implícita das obrigações portuguesas a 10 anos no mercado secundário que é, na minha opinião, um dos melhores barómetros sobre a opinião que o mundo dos mercados financeiros tem sobre o nosso país. Nas últimas semanas, as taxas dessas obrigações situaram-se abaixo dos 10%, confirmando a forte tendência descendente dos últimos 6 meses. Estas taxas são cerca de metade daquela a que se transaccionava no início deste ano, o que mostra bem que os investidores estão dispostos a exigir um menor prémio de risco por investirem em obrigações nacionais.

A notável evolução da balança comercial merece também ser destacada. Neste aspecto, nem me parece que seja o trabalho do Governo que esteja a contribuir nesse sentido. O mercado nacional deixou de ser interessante e as empresas não tiveram outra solução que se internacionalizar. Foi quase uma solução de último recurso e, "mestres do desenrascanço", os portugueses voltaram a revelar uma capacidade de adaptação notável.

Os grandes problemas chamam-se défice acima dos objectivos, recessão mais forte do que o esperado e uma brutal taxa de desemprego. Portugal está longe de cumprir alguns dos números chave a que se propôs. No entanto, aos olhos da "troika", temos o mérito de termos cumprido com as medidas que nos foram pedidas e estou certo que é essa determinação lusa, aliada à capacidade dos portugueses em aceitar as medidas que foram impostas, que está a ser chave na forma como os outros nos olham.

Mas voltemos à Bolsa pois já falei mais de economia do que o habitual. Algumas acções portuguesas começam a dar sinais de inversão. Uma após outra, vão acordando de um sono letárgico, contribuindo para o tal Verão quente sobre o qual escrevi. Ao longo das próximas semanas, publicarei análises sobre as várias acções, privilegiando as que têm mostrado comportamentos mais "bullishs", relegando para mais tarde a análise àquelas que se mantêm num duradouro e penoso "Bear Market".

Em termos técnicos, o PSI está cada vez mais próximo da importante zona de resistência entre os 5100 e os 5200 pontos. É uma resistência demasiado forte para que possa ser quebrada à primeira tentativa, pelo que quem aproveitou este Verão quente na Bolsa portuguesa pode sentir-se tentado a fechar as posições junto a esta zona e reentrar caso o PSI mostre força, quebrando essa resistência. Não censuro quem o faça porque, até à quebra dos 5700 pontos, todas as subidas têm que ser vistas como ressaltos no "Bear Market".

Como é que se termina um artigo em que reitero o meu optimismo? Deixando claro que, caso os 4700 pontos sejam quebrados, de novo, eu despirei de novo o meu fato de touro e voltarei a envergar aquele cansativo e antipático fato de ursos que me tem acompanhado ao longo dos últimos anos. Isto numa perspectiva de curto e médio prazo porque, como já referi, só a ruptura dos 5700 pontos me fará decretar o arranque de um novo "Bull Market".

Parece quase irracional estar optimista na Bolsa portuguesa no meio do actual contexto económico. Tão irracional como parecia há 2 meses atrás. Mas enquanto andar acima dos 4700 pontos, o mercado dá-me sinais demasiado claros para eu os ignorar. E, por entre os lamentos dos portugueses, a Bolsa continua a subir. Bem-vindos ao mundo sui generis dos mercados financeiros. Há coisas que não mudam nunca.

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