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E se em 2013 Portugal crescer?

A Bolsa portuguesa subiu em 2012. Sim, leram bem. O PSI-20 valorizou-se cerca de 3% num ano em que a economia Portuguesa viveu um dos anos mais difíceis da sua História.

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A Bolsa portuguesa subiu em 2012. Sim, leram bem. O PSI-20 valorizou-se cerca de 3% num ano em que a economia Portuguesa viveu um dos anos mais difíceis da sua História. Ao longo deste ano, fui frisando que era importante separar a Bolsa da Economia e acredito que 2012 possa ter sido uma verdadeira lição para muitos investidores.


O desempenho da Bolsa portuguesa faz-me, uma vez mais, estar contra a corrente da previsão dos analistas para a evolução da Economia Portuguesa em 2013. A esmagadora maioria dos analistas prevê uma contracção do PIB para o próximo ano, entre 1 a 4%, conforme as previsões. Há 20 anos que defendo que o mercado bolsista antecipa a inversão económica, pelo que acredito que é bastante provável que 2013 seja um ano positivo (ou muito perto disso) para o PIB português. A evolução dos juros da dívida pública, do qual falei detalhadamente no último artigo de 2012 é mais um dado que me faz acreditar na nossa economia e me faz andar contra a corrente. Estamos já muito perto daquilo que são os níveis habituais dos juros da dívida pública portuguesa.


Curiosamente, nos últimos 7 meses, altura em que me tornei optimista na Bolsa portuguesa, tenho recebido muitos comentários e e-mails em que as pessoas escrevem coisas como "O que faz falta em Portugal são pessoas optimistas como o Ulisses. É essa aquela que deve ser a nossa forma de estar." Eu não acho que as pessoas devam ser optimistas por dever, mas sim por crença. Entre o final de 2007 e o Verão de 2012, estive pessimista em relação à Bolsa portuguesa e não me senti mal com a minha consciência por causa disso. Bem pelo contrário. Sempre achei que a sinceridade é o bem mais precioso do ser humano e, mesmo sabendo que as pessoas não gostavam de o ler, defendi sempre o meu pessimismo com unhas e dentes durante 4 anos e meio que pareceram uma década.


Continuo com o fato de touro vestido desde Junho do ano passado e ainda não houve qualquer sinal de fraqueza da nossa Bolsa que me tenha feito mudar de ideias. Quem acompanha os meus escritos, decerto se recordará que a minha grande preocupação sempre foi a resistência dos 5700 pontos do PSI. À hora que vos escrevo, o principal índice português está acima dessa zona mas não posso, desde já, concluir que houve uma ruptura consistente. Para que isso aconteça, são precisos alguns dias claramente acima dessa resistência.


Não apreciei o facto de esta ultrapassagem dos 5700 pontos ter sido feito em reacção à resolução dos problemas tributários nos Estados Unidos pois isso aumenta a probabilidade da euforia passar e os índices retraírem. Por outro lado, é muito normal uma resistência desta magnitude, ser alvo de uma primeira falsa ruptura e, só depois de frustradas as primeiras expectativas, se dar a verdadeira ruptura. Naturalmente que nem sempre as coisas se processam desta forma, mas o mercado gosta de magoar sempre o maior número possível de pessoas.


Independentemente destas questões mais tácticas de "trading", mantenho o meu optimismo em relação à Bolsa portuguesa. São já quase 7 meses de subidas. 7 meses de cepticismo. 7 meses em que as subidas eram vistas como sol de pouca dura. 7 meses em que quem defendesse que a nossa Bolsa podia subir era visto como um louco.


Provavelmente, o mesmo grau de loucura que me atribuirão quando lerem que acredito que a Economia portuguesa pode crescer em 2013. E percebo que considerem redutor e demasiado simplista atribuir tal grau de fiabilidade aos mercados financeiros em termos de previsão de inversão de tendências económicas. Mas, como sempre disse, acredito mais nos mercados do que nos economistas ou nos políticos. E foram esses mesmos mercados que me fizeram acreditar, em todo o ano passado, que o euro não iria acabar como tantas vezes foi apregoado. Se o euro conseguia aguentar a sua cotação face ao dólar, isso sinalizava que o fim do euro estava longe de acontecer. E essa cotação significava mais para mim do que qualquer declaração dos líderes políticos de que o euro não acabaria. 

 

É bom estar optimista. Como me soube bem despir, há 7 meses atrás, o fato de urso. Mas só faz sentido estar optimista quando se está, de facto. Fazê-lo por obrigação ou por patriotismo apenas serve para enganar os outros. E a nós próprios.

 


Nem Ulisses Pereira, nem os seus clientes, nem a DIF Brokers detêm posição sobre os activos analisados. Deve ser consultado o disclaimer integral aqui

Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com

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