Ulisses Pereira
Ulisses Pereira 16 de setembro de 2013 às 00:41

O pesadelo do "daytrading" em Portugal

No início deste século, os Bancos e corretoras portugueses apostaram muito na publicidade ao "daytrading". A Bolsa portuguesa vivia um período dourado, milhares de novos investidores começavam a tomar contacto com o mercado e o "Bull Market" era tão poderoso que parecia fácil vencer no mercado.

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Na altura, os Bancos dominavam a corretagem em Portugal e era prática corrente que um investidor que vendesse uma acção apenas tivesse o dinheiro disponível na conta 2 dias depois e, quando se compravam acções, apenas um ou dois dias depois as podíamos negociar. A possibilidade de comprar e vender uma acção no mesmo dia era algo entusiasmante para os investidores numa altura de grande sucesso para quem negociava em Portugal.

 

O "daytrading" explodia no nosso país, fruto de um mercado pujante e de campanhas muito agressivas dos Bancos e corretoras que viam neste estilo de negociação o aliado perfeito para fazerem crescer o valor das comissões cobradas. O "daytrading" tornou-se popular e, para muitos, parecia ter sido descoberto o caminho marítimo para a Índia.

 

Hoje, mais de 10 anos depois, um "daytrader puro" na Bolsa portuguesa está condenado ao insucesso. Por "puro", entendo aquele que nunca dorme com acções em carteira, como se tivesse uma relação de fidelidade com mais alguém. Volatilidade e liquidez são as palavras-chave para um "daytrader" e ambas escasseiam na Bolsa portuguesa, o que torna este estilo de negociação um autêntico pesadelo.

 

Além da falta de volatilidade (que é o principal factor de insucesso para um "daytrader"), a baixa cotação a que negociam muitos títulos portugueses é outro dos problemas para quem quer comprar e vender acções no mesmo dia. Tomemos - como um bom exemplo - o BCP, actualmente cotado perto dos 0,1 euros. Entre a melhor oferta e a melhor venda há sempre 1% de diferença, o que faz com que se acumulem milhões de acções na oferta e na venda. Por isso, o investidor só tem duas opções: ou dá uma ordem de compra/venda "ao melhor" e entra logo a perder 1% ou coloca-se na fila de espera e pode nem sequer realizar a ordem naquele dia, o que no caso de fecho da posição é impensável para um "daytrader". Qualquer das opções que tome é incompatível com os resultados que um "daytrader" pretende.

 

Não digo que não seja possível comprar e vender acções em Portugal no mesmo dia, com bons resultados. Claro que isso acontece em alguns momentos. Mas ser um "daytrader" puro na Bolsa portuguesa é como deixar entrar um elefante numa loja de porcelanas.

 

Quem quer dedicar-se ao "daytrader" deve escolher outros mercados mais voláteis e líquidos. Mas não se iludam - o "daytrading" é, provavelmente, a actividade mais exigente, difícil e desgastante no mundo dos mercados. E, à sua volta, estarão inúmeros tubarões à espera de comer os pequeninos peixes que aparecem. É uma actividade em que a componente de controlo mental é crucial e que está ao alcance de muito poucos.

 

Quando me perguntam que plataforma devem utilizar para fazerem "daytrading" na Bolsa portuguesa, respondo imediatamente: "Nenhuma!". E se conhecerem alguém que, nos últimos 2 ou 3 anos, tem tido bons resultados - consistentemente - a fazer "daytrading puro" em Portugal avisem-me. Será, certamente, o meu herói. Porque, para quase todos, o sonho do "daytrading" em Portugal transforma-se em pesadelo. Rápido, como mandam as normas de tudo o que ao "daytrading" diz respeito. 

 

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