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Ulisses Pereira ulissespereira@hotmail.com 30 de Março de 2015 às 09:57

"Shark Tank" e a bolsa portuguesa

Tem sido o Estado a alimentar uma bolsa esquelética e a conseguir substituir algumas das empresas que saíram do mercado.

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A estreia da versão portuguesa do "Shark Tank" gerou algumas críticas. No dia em que escrevo, só tinha ido para o ar o primeiro episódio e confesso que fiquei agradavelmente surpreendido. Sou um fiel espectador da versão americana e era um dos que temia que a dinâmica do programa português não estivesse à altura do original. Puro engano.


O "Shark Tank" português teve apresentações interessantes, teve dinamismo por parte dos investidores, momentos de humor e agarrou os espectadores. Alguns dirão que, por parte de um dos participantes, houve um momento de pouca lucidez económica, mas isso faz parte do programa e da interacção entre criadores e investidores. Para mim, foi uma excelente estreia e fico curioso quanto aos restantes episódios porque não sou virgem na produção de programas televisivos e há sempre a preocupação de escolher como primeiro um dos melhores.


Enquanto assistia ao programa e pensava na quantidade de criadores portugueses com vontade de abraçar grandes desafios e agarrar oportunidades, pensava no contraste com a dinâmica da bolsa portuguesa. O PSI-20 apenas o é no nome porque, há algum tempo, que o principal índice português não é constituído por 20 empresas. Com as OPA, foram desaparecendo empresas da bolsa portuguesa, tornando o nosso mercado mais pequeno e cada vez menos representativo da economia nacional.


Nos últimos anos, com excepção das privatizações, quantas empresas entraram para a bolsa? Tem sido o Estado a alimentar uma bolsa esquelética e a conseguir substituir algumas das empresas que saíram. Mas não chega. Precisamos de mais empresas no mercado accionista nacional que o tornem mais representativo e interessante.


Porque é que há tão poucas empresas nacionais cotadas na bolsa portuguesa? Pela exigência da admissão à bolsa e pelo rigor que uma empresa cotada tem de ter. É verdade que há aqui um balanço difícil de gerir entre a defesa dos investidores e a atractividade do mercado de capitais para empresas que poderiam vir para a bolsa. Mas do que não tenho a menor dúvida é que, se mantivermos as actuais regras que não incentivam as empresas a dispersarem no mercado de capitais, a bolsa vai-se esvaziando, parecendo cada vez mais um esqueleto, onde pouca carne sobra.


Não basta os responsáveis pela bolsa dizerem que querem atrair mais empresas. Não basta os políticos dizerem que temos de criar condições para o nosso mercado de capitais ser um verdadeiro polo de desenvolvimento de empresas. Há que fazer algo. Há que tomar medidas, há que ser audaz. Porque, se nada fizerem, não esperem que algo mude.


Assusta-me que se queira ser cada vez mais exigente e não nos preocupemos em atrair empresas. Qualquer dia teremos um mercado cheio de regras e sem nenhuma empresa. Uma espécie de presente muito bem embrulhado sem nada lá dentro. Um tudo cheio de nada.

 

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