Pioneiros de uma escola para o futuro

Que se quebrem as fronteiras entre os silos do saber, que nos foquemos no impacto que teremos no mundo e nas pessoas, que nos preocupemos com o desenvolvimento holístico dos alunos, que tenhamos a humildade de nos dedicarmos mais em aprender e menos em ensinar.
Jornal de Negócios
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Daniel Traça 24 de julho de 2018 às 18:07

A primeira intervenção neste espaço do Jornal de Negócios ocorre na mesma semana em que a Nova SBE começa um novo capítulo da sua história, com o início da mudança para o seu novo campus de Carcavelos. O ambiente que se vive por este tempo é comparável ao entusiasmo que deverão ter sentido os pioneiros do novo mundo ao desembarcar nas maravilhosas baías ainda por descobrir. Por um lado, o cansaço do percurso desafiante que se tomou para construir este espaço único que será a nossa nova casa. Por outro, a ansiedade natural de quem tem pela frente a tarefa árdua de construir um futuro novo, num tempo repleto de incertezas e desafios, entusiasmados pelo sonho de levar ao mundo a conectividade, a hospitalidade, a inovação e a excelência académica de Portugal, de potencializar o desenvolvimento económico e humano do nosso país, e de impactar as sociedades pelo mundo fora.

É este o espírito pioneiro que se vive hoje na Nova SBE e que será sentido durante todo este ano, entre professores, alunos, antigos alunos, colaboradores e parceiros, conscientes dos desafios, mas motivados sempre pelo potencial do coletivo que nos tem impulsionado ao longo dos últimos 40 anos. E a visão que nos anima é a de construir, em Carcavelos, um farol que ilumine um futuro que é de Portugal na sua génese, mas do mundo no seu destino. Um futuro que queremos assegurar que seja de pensamento aberto, de conectividade entre os povos, de justiça e fraternidade entre as pessoas, de democracia e liberdade na sociedade.

Nos acontecimentos recentes sentimos as ameaças a esse futuro e revisitamos fantasmas que pensávamos ter derrotado há décadas. Em paralelo com os extremismos políticos na Turquia ou na Hungria, nas imagens do tratamento das crianças nos campos de triagem de imigrantes nos Estados Unidos ou na recusa de entrada em Itália de embarcações em risco de naufrágio, encontramos os lugares assombrados onde nos conduz, com regularidade histórica, o ciclo do medo. Na origem desta convulsão, o desafio maior é a incapacidade das instituições tradicionais de gerar esperança entre as gerações futuras. Num estudo recente citado no The Economist, apenas 40% da geração Y (nascida após 1980) considerava a criação do Estado Social como um dos acontecimentos mais relevantes da sociedade britânica moderna, em comparação com os 75% dos nascidos antes de 1945.

Refletir e criar soluções para novas instituições e novas políticas, que galvanizem a juventude a participar ativa e positivamente no mercado de trabalho e na nova sociedade do futuro, é a missão relevante para as universidades nas sociedades ocidentais, e para as escolas de negócios, em particular. É uma responsabilidade histórica que exige transformação e abertura num ecossistema universitário que tem hoje alunos do século XXI, professores do século XX e estruturas do século XIX. Que exige novas formas de ensinar e aprender, de investigar e de desenvolver, sobretudo nas áreas das ciências sociais que devem recuperar a capacidade de intervenção que permita responder politicamente e socialmente aos desenvolvimentos tecnológicos potenciados pelos avanços das ciências exatas e naturais.

Com a partida para um novo campus, a Nova SBE assume um compromisso com esta necessidade de mudança. Estamos convencidos que esta é uma urgência para as universidades em Portugal e no estrangeiro: que se quebrem as fronteiras entre os silos do saber, que nos foquemos no impacto que teremos no mundo e nas pessoas, que nos preocupemos com o desenvolvimento holístico dos alunos, que tenhamos a humildade de nos dedicarmos mais em aprender e menos em ensinar. Esta será, a meu ver, a universidade do futuro. Este será o futuro da Nova SBE feita de e por pioneiros no seu novo horizonte de Carcavelos.

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Professor na Nova SBE

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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