Maria de Fátima Carioca
Maria de Fátima Carioca 02 de junho de 2019 às 18:30

Arraial de inovação

Podemos festejar sem montar um arraial? Com certeza! Mas a lógica é precisamente a contrária: se organizarmos um arraial, seguramente a festa acontece.

Na edição do seu 16.º aniversário (Parabéns!), o Negócios desafiou as diversas Business School participantes desta rubrica a que os seus alunos contribuíssem com uma ideia de "como pôr Portugal a crescer mais". Um grupo de participantes do 17.º e 18.º Executive MBA da AESE lançou a ideia, arrojada, disruptiva mas possível, de um modelo de "hub" de inovação global, passível de ser replicado, customizado e aplicado a diferentes setores económicos e em diferentes geografias.

 

A inovação é, em si mesma, um processo complexo, sendo potenciada no seio de um ecossistema caracterizado por múltiplos fatores, como sejam a capacidade de inovação enquadrada num ambiente de apoio e um elevado dinamismo ao nível dos negócios. Todos estes fatores são igualmente importantes. E por isso mesmo são tão poucos os "hubs" de inovação a nível mundial (encontramo-los na Alemanha, Suíça, EUA, Taiwan e pouco mais). Portugal, de acordo com o WEF, em 2018, apresentou um desempenho de 70% e 53% nas dimensões citadas, respetivamente, o que significa que existe ainda caminho a fazer e que a ideia do "hub" de inovação global é relevante e oportuna.

 

Na realidade, historicamente, a competitividade tem-se baseado em três pilares fundamentais, conhecidos como os três "I": infraestruturas, instituições e instrução. E é verdade que o suporte básico do desenvolvimento continua a alavancar-se em tecnologia e infraestruturas, nomeadamente infraestruturas digitais, que sejam modernas e abrangentes; em instituições credíveis, eficientes e próximas e na formação de talento, conhecimento e competências não-tradicionais como sejam o pensamento crítico, a criatividade, a adaptabilidade e a iniciativa. Porém, outras componentes são também catalisadoras da inovação e, consequentemente, do crescimento da economia. Ressalto 3: uma cultura, empresarial e nacional, de empreendedorismo (a predisposição das empresas e do país para assumir riscos e abraçar ideias disruptivas), uma cultura de mérito, confiança e segurança e, finalmente, uma cultura de diálogo e colaboração entre os diferentes protagonistas (estado, empresas, organizações da economia social, famílias e as próprias pessoas).

 

Em junho, mês por excelência dos arraiais, percebe-se bem o valor dos ecossistemas. Um arraial há de ter música, decoração típica, um bom pão ou broa, acompanhado de sardinhas ou outros petiscos e, sem esquecer, um vinho a condizer. Todos estes elementos criam um ambiente potenciador de festa. Quando grupos de pessoas se encontram, mesmo que muito diferentes e muitas vezes desconhecidos entre si, o convívio é natural, a alegria é contagiante e acontece a festa! Podemos festejar sem montar um arraial? Com certeza! Mas a lógica é precisamente a contrária: se organizarmos um arraial, seguramente a festa acontece.

 

Ante a rápida evolução/disrupção tecnológica, o panorama demográfico e político e a frágil recuperação económica nacional e internacional, é fundamental traçar, com audácia, caminhos novos de crescimento e prosperidade. Mas, sobretudo, é fundamental um sentido maior para o que podemos ser. Citando o grupo de participantes do Executive MBA da AESE, esse sentido pode ser o sonho de que Portugal seja "aquele lugar onde qualquer um pode realizar livremente o seu projeto de negócio e de felicidade". Um Portugal para todos é uma boa ambição de futuro. Um Portugal para todos os portugueses, inclusivo, sustentável e competitivo economicamente. Mas também um Portugal aberto ao mundo, acolhedor de ideias inovadoras de negócio e acolhedor para todos os que vejam em Portugal a oportunidade de se realizarem e contribuírem para um mundo diferente, melhor. Continuemos a ser otimistas já que o otimismo, segundo o Prof. José Fonseca Pires, também da AESE, "une e cria coesão", ingrediente indispensável para qualquer dinâmica de crescimento. E assim, desde já, façamos Festa. Vivam os Santos Populares!

 

AESE

 

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