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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2013 às 00:01

Western spaghetti

Um dos maiores comediantes italianos, Marcelo Mastroianni, disse um dia: "Acho que somos um pouco como Dom Quixote: certas ilusões são mais fortes do que a realidade". E a realidade, após as eleições italianas, parece uma comédia. Ou seja: como é possível Berlusconi ter tantos votos após o cataclismo que produziu? Como é que é possível acreditar num cómico, como Beppe Grillo, que faz política com piadas?

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O certo é que os italianos encararam as eleições como quem vê um "western spaghetti": com a calma de Trinitá e a força desproporcionada de Bambino. O resultado só é claro numa coisa. Os italianos desejam mais liberdade face a Bruxelas e por causa disso humilharam Mario Monti.

 

No meio desta tempestade sobra uma certeza. O cómico Grillo percebeu que se o único projecto da burocracia europeia para Itália é executar os ditames de Bruxelas, só há uma alternativa: eleger políticos honestos. E ele é novo, divertido e aparentemente honesto. Como projecto político isso é suficiente para um eleitorado que deixou de ter esperança na Europa.

 

Após estas eleições, para os italianos, o consenso europeu é uma tumba. Destes resultados pode sair apenas um governo a prazo, incapaz de colocar em prática as medidas de austeridade dos tecnocratas da UE.

 

O problema para Bruxelas é que a Itália é demasiado grande. Pode pôr em causa o futuro do euro e da ordem financeira a que ele está associado. Pior: em Maio, o último elo de estabilidade italiana, o presidente da República, será eleito pelo Parlamento. A comédia italiana poderá então encenar a última gargalhada: eleger alguém que seja contra Bruxelas. E que actue como Bambino nos filmes de Trinitá. 

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