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João Quadros - Argumentista 09 de Outubro de 2015 às 10:09

Afinal havia outro

O resultado eleitoral criou um quadro surrealista de tal forma que não é descabido dizer que Costa, o maior derrotado das eleições, se tornou o homem mais poderoso de Portugal.

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Se o voto é a arma do povo, desta vez, o povo armou uma valente confusão.

O resultado eleitoral criou um quadro surrealista de tal forma que não é descabido dizer que Costa, o maior derrotado das eleições, se tornou o homem mais poderoso de Portugal. Tão poderoso que até pode ser PM. Confuso? Foi o que eu escrevi no início do texto.

Como já todos devem saber, a coligação PàF venceu as eleições, mas perdeu a maioria. O Presidente da República, desaparecido no dia 5, voltou a aparecer no dia 6 para convidar o líder do PSD, Passos Coelho, a desenrascar qualquer coisa que permitisse um governo estável , mas sem comunas. Sobre o recém-eleito deputado do PAN ficava a dúvida - será que Aníbal Cavaco Silva considera o Partido dos Animais digno de entrar para o arco da governação? Ou será que fica cá fora, ao frio? Será que, se estiver a chover, Cavaco deixa o PAN entrar para o arco da governação? Comunas nem pensar, não entram. Agora, com o Partido dos Animais é que vamos ver se o Presidente ainda tem alma.

O Presidente da República passa um atestado de incompetência a quem votou BE ou CDU e anula os votos de um milhão de portugueses, dizendo que votaram em vão, porque não conta com esses votos, porque não obedecem a determinados compromissos que nós temos. Vamos lá ver. Se realmente partidos que apoiam a saída da NATO não contam, então não deviam estar no boletim de voto. Votou CDU, mas não viu as letras pequeninas, no final do boletim de voto, onde dizia, "atenção, para governar só contam votos em partidos que querem Portugal na Nato".

Portanto, Cavaco, o ainda ex-presidente de todos os portugueses, elimina um milhão de votos porque não é gente séria. Mas não iria ficar por aqui. Aníbal decide avançar para convites para fazer coisas, ao líder da PàF, sem ter paciência para esperar pelos votos dos emigrantes. Esperamos uma hora para os Açores votarem mas, o Presidente não está para esperar uma semana pelos votos dos emigrantes.

No dia 4, Cavaco Silva: "Não faltem. É isso que vos peço."

No dia 6 :
- Faltam os votos dos emigrantes, senhor Presidente.
- Caga.

Ou seja, metade dos emigrantes não conseguiu votar graças ao desgoverno do Governo, a outra votou e o Presidente da República não esteve para esperar pelos seus votos. E ainda mandam a massa para cá.

Chegamos, agora, ao início do texto, perante o quadro de não maioria à direita (a tal maioria que o Presidente da República definiu, antes das eleições, como condição essencial para aceitar um governo), toda e qualquer solução passa por António Costa. O PSD e o PP já deram por isso, e a coligação veio logo mostrar-se disponível para dar presidência do Parlamento ao PS; e uma caixa de mon-chéri.

De repente, Costa é o novo sexy platina. Atacado pelos seguristas no interior do partido, António Costa é desejado por todos fora dele. O Bloco de Esquerda deseja fazer governo com ele. O PCP apoia um governo de Costa. Passos Coelho e Portas querem chegar a uma solução de governação com Costa, e o Presidente mandou o ex-PM ir falar com ele. Imaginem se Costa tivesse ganho as eleições?! Já havia estátuas com António Costa a cavalo na Avenida da Liberdade.


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TOP 5
4 de Outubro

1 PAN elege um deputado - com um cão giro e sem os economistas, o Costa tinha ganho isto.

2 Eleições: Agir reconhece "resultado pequeno" - e a gravidez de Joana era histérica.

3 Coligação quer reunir com António Costa - fazem uma solução de governo como na TAP, e o PS é o Barraqueiro.

4 PS admite negociar à esquerda e à direita - Costa faz lembrar as listas do iTunes - se gostas de PS, também podes gostar de BE, PCP, PSD, CDS, Toro y Moi e o último CD dos U2.

5 PAN é a grande surpresa das eleições - se o PNR tem dito que gostava mais de bichos do que de imigrantes; faltou clareza no discurso.

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