Manuel  Falcão
Manuel Falcão 16 de outubro de 2015 às 10:16

A esquina do Rio

A Monocle leva oito anos de vida e está agora a entrar na fase de amadurecimento do seu projecto.

Back to basics
A democracia é a arte e a ciência de governar o circo a partir da jaula dos macacos.
H. L. Mencken

Títulos: "Vem aí a frente popular?" - Manuel Villaverde Cabral no Observador, 19 de Setembro  "Namoro entre PS, PCP e Bloco deixa Coligação assustada" - i, sexta-feira  "Santana Lopes quer que o Presidente da República trave já António Costa" - DN, sábado  "Acordo à esquerda divide PS de Costa" - Correio da Manhã, domingo  "PS e BE negoceiam hoje Governo apoiado pela esquerda" - Público, segunda-feira  "Forças à Esquerda do PS não dão garantias de estabilidade" - Carlos Silva, secretário-geral da UGT, "Diário Económico", segunda-feira  "Costa tenta convencer Cavaco a aceitar Governo de Esquerda" - i, terça-feira  "Eleitores do PS não votaram para um governo com PCP e Bloco" - Durão Barroso, Diário Económico, terça-feira  "Coligação envia mais de 20 propostas ao PS e ainda confia num acordo" - Público, terça-feira  "Propostas de Passos a Costa custam €1309 milhões em quatro anos. Coligação disposta a aceitar todas as condições de Costa" - Expresso Diário, terça-feira  "Costa assusta investidores" - Negócios, terça-feira  "Esquerda Unida - PS tenta acalmar UE e investidores" - Observador, quarta-feira  "Ora aí está ela, a esquerda unida" - Manuel Villaverde Cabral, Observador, terça-feira  "Sem acordo à esquerda ou à direita, PS deixa passar governo de coligação" - Público, quarta-feira  "Costa prepara Europa para governo de esquerda" - Diário de Notícias, quarta-feira  "Impasse agrava tensão política - Costa classificou de insuficiente a proposta de Passos e Portas" - Negócios, quarta-feira  "Passos bate com a porta a Costa" - Correio da Manhã, quinta-feira.

Semanada
 O mercado dos livros escolares movimenta entre 120 e 200 milhões de euros por ano  as alheiras de Mirandela movimentam 30 milhões de euros por ano, só no concelho de Mirandela  Portugal é o país da Europa que menos investe nos idosos, só 0,1% do PIB  só 23% das pessoas com mais de 65 anos utilizam a internet  um relatório da OCDE mostra que o país perdeu qualidade de vida entre 2009 e 2015  os hospitais fazem duas vezes mais urgências do que primeiras consultas  trinta pessoas foram infectadas nos últimos dois meses por uma bactéria, no Hospital de Vila Nova de Gaia, oito acabaram por morrer e há 13 ainda internadas  mais de 110 mil pessoas emigraram em 2014  em Portugal, as pequenas e médias empresas registaram mais crescimento em 2014 do que as grandes empresas
 51 mil portugueses têm património superior a 900.000 euros  Maria de Belém apresentou a sua candidatura com uma imagem gráfica copiada da campanha de Obama  "Podem contar comigo para tudo no PS" - disse Francisco Assis em entrevista à RTP3 l um terço das empresas municipais ainda tem prejuízo e há 17 que têm de fechar as portas devido à sua situação financeira  a receita do IMI subiu o dobro do que estava previsto  a Câmara Municipal de Lisboa pretende criar uma taxa de protecção civil • mais de um quinto das câmaras municipais empola receitas para gastar mais.

Dixit
O sector da cultura representa cerca de 1,9% do PIB português e 3,4% do PIB espanhol.
Belén Rodrigo, na revista Actualidad - Economia Iberica

Folhear
A Monocle leva oito anos de vida e está agora a entrar na fase de amadurecimento do seu projecto. Desde quase o início tornou-se claro que Tyler Brûlé, o fundador da revista, queria criar uma comunidade, baseada em alguns valores, como a qualidade de vida, a cuidada recuperação das cidades, o comércio tradicional, a produção artesanal, bons transportes públicos e o empreendedorismo numa combinação de criatividade com tradição. Com uma fórmula editorial baseada na revelação de descobertas à comunidade de leitores, na elaboração de listas exemplares em diversas áreas (de cidades a aeroportos, passando por hotéis) e numa selecção cuidada de locais a visitar em diversos países, a Monocle afirmou-se. Combinando artigos longos e reportagens com notas breves e conselhos, a revista cria o desejo de conhecer locais de que fala.
O número de Outubro é a edição anual dedicada a bons exemplos de comércio e Lisboa lá figura com o renascimento da Rua do Poço dos Negros, de que provavelmente muitos lisboetas ainda nem se aperceberam. Ao mesmo tempo que partilha os seus segredos na edição impressa, a Monocle tem uma rádio em "streaming" - Monocle 24 - e no seu "site" há uma área de filmes com bastantes minidocumentários sobre diversos temas, a maioria com uma qualidade de edição exemplar - que sugere o embrião de uma estação de televisão dedicada à mesma comunidade.
Além de lojas Monocle em diversos países, em Londres abriu agora um conceito que promete exportar e que combina um café sofisticado com um escaparate das melhores revistas que se editam pelo mundo, o Kioskafé (31 Norfolk Place). Por último, há pouco tempo, iniciou a "newsletter" diária Monocle Minute que proporciona uma selecção de temas fora do "mainstream" noticioso, mas com assuntos muito interessantes - e que é um exemplo de capacidade editorial no digital. Tudo isto cria um ecossistema Monocle, que permite à comunidade ter diversos pontos de contacto e manter a fidelidade à marca.

Gosto
De Rui Rio ter desistido de se candidatar à Presidência da República. 

Não gosto
Da transformação da política num jogo de póquer fechado.  

Provar
Estamos em plena época de dois frutos do Outono de que gosto particularmente: marmelos e romãs. Além da tradicional marmelada, a geleia de marmelo com nozes e o marmelo aos quartos, cozido ou assado, enaltecem as potencialidades deste fruto. Mas o petisco de que mais gosto é de um queijo bem curado, duro, Serpa de preferência, acompanhado com marmelada fresca feita há poucos dias - como por exemplo a que se vende na loja Afinidades, na Quinta do Anjo, em Palmela. Se este petisco for acompanhado por um Moscatel Roxo da Casa Horácio Simões, que se encontra na mesma loja, então alcança-se facilmente um estado de grande satisfação. Quanto às romãs, que ainda por cima provêm de uma árvore lindíssima e têm propriedades antioxidantes, experimentem misturá-las com uma mousse de chocolate de facto caseira, espessa e escura. O que sobrar das romãs, se sobrar alguma coisa, vai muito bem com o iogurte do pequeno-almoço. (Afinidades, Rua João de Deus n.º10, Quinta do Anjo, Palmela).

Arco da velha
O MRPP quer suspender Garcia Pereira sob a acusação de "incompetência e anticomunismo primário". 

Ouvir
Há muito tempo que um disco não me dava tanto gozo como "Music Complete", dos New Order, o seu primeiro álbum de originais desde há dez anos, que agora anda em "repeat" no carro, em casa, no iPhone. É o primeiro sem o baixista Peter Hook, que fez muito do som do grupo, aqui bem substituído por Tom Chapman. Na produção, há algumas incursões de Tom Rowlands, dos Chemical Brothers, e Bernard Sumner, a alma dos New Order, recuperou o teclista Gillian Gilbert para refazer o som da banda, o que fez com sucesso.
É impressionante como, ao fim de 30 anos de actividade, os New Order conseguem continuar a fazer alguma da mais entusiasmante música de dança, com palavras do mais puro pop - "I want a nice car / A girlfriend who's as pretty as a star". Isto conjugado com ritmos que fazem dançar e com surpresas que vão da presença de Iggy Pop num tema de "spoken word" ("Stray Dog") a Elly Jackson, das La Roux, em três faixas, entre as quais a irresistível "Tutti Frutti". Mas o grande momento do disco é "Plastic", uma faixa de quase sete minutos que é um manual perfeito de música para pistas de dança. A faixa inicial, "Restless", e a final, "Superheated" (esta com uma participação de Brandon Flowers dos The Killers), são material do melhor que Sumner tem feito. Um disco incontornável, que eu vou consumindo no Spotify. A capa, claro, é de Peter Saville.

Ver
Hoje proponho-vos uma visita a um "site" absolutamente espantoso pelo trabalho de recolha e organização de duas colecções fotográficas incontornáveis na história da fotografia e na documentação de períodos cruciais dos Estados Unidos da América. Sugiro que busquem e que visitem Photogrammar, uma plataforma digital que agrupa 170.000 fotografias feitas entre 1935 e 1945 para a United States Farm Security Administration e para o Office of War Information, agora depositadas na Library Of Congress. Se o primeiro foi um projecto exemplar que visava documentar o que era a vida no interior dos Estados Unidos, nas zonas rurais, durante a época da Grande Depressão, o segundo recolhia o trabalho dos grandes fotojornalistas e de militares que registaram as imagens da II Grande Guerra. Para a Farm Security Administration trabalharam nomes incontornáveis da fotografia, que deixaram a sua marca em revistas como a Life. O "site" tem uma organização absolutamente extraordinária e explorar todas as suas potencialidades e informação é verdadeiramente um prazer para quem gosta de fotografia documental. Aqui fica uma fotografia de Dorothea Lange, no Novo México, em 1935.

Outras sugestões - "Afinidades Electivas, Julião Sarmento Coleccionador", na Fundação EDP e na Fundação Carmona e Costa. No Atelier Museu Julio Pomar, "Desenhar - Julio Pomar e Rui Chafes" (Rua do Vale 7). Na Miguel Justino Contemporary Art - "Les Voyeurs", de Mário Rita, Rua Rodrigues Sampaio 31, 1.º Esq.

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