Fernando  Sobral
Fernando Sobral 31 de agosto de 2016 às 10:06

Dilma, o ar condicionado e as "selfies" com Chico Buarque

O destino de Dilma Rousseff está traçado. Julgada no Senado teve o apoio de Lula da Silva.


O plenário esteve cheio e o ar condicionado pareceu não funcionar, tal era o calor dos corpos. Para dar força a Dilma, esteve Chico Buarque. Muitos parlamentares pediram para tirar "selfies" com ele. Um espectáculo enquanto o sistema político se dissolve. Eliane Brum, no "El País/Brasil" vê mais longe: "Em 2009, a questão era: veja como somos capazes de construir um país. Em 2016, a questão tornou-se: veja como somos capazes de fazer uma festa. (…) A Olímpiada se deu com o processo de impeachment em curso. Acabaram os jogos e começou o julgamento da presidente Dilma no Senado. Em vez de interpretar os sentidos, disputa-se a autoria do 'sucesso'. (…) O Brasil é o que sempre foi, o período Lula-Dilma apenas uma interrupção momentânea".

Dora Kramer, no "Estado de S. Paulo" é dura: "O tom algo hostil e absolutamente professoral adotado pela presidente em julgamento na última oportunidade de evitar seu impeachment, mostra que Dilma não foi ali para conquistar votos e indica que admitiu a derrota de véspera. Neste aspecto, e apenas nele, rendeu-se à realidade. (…) No conteúdo, segue presa à fantasia do golpe e dos eufemismos utilizados ao longo do processo para negar a existência de crime de responsabilidade. Qualificar juízes de 'golpistas' de fato não é a melhor maneira de dispô-los à mudança de posições."

Xico Sá, no "El País/Brasil" é poético: "A democracia, todavia, estrebucha quando não se leva em conta 54 milhões de votos". E termina com uma citação: "E na gana de citador-mor da crônica brasileira, vale um Manuel António Pina, um dos meus poetas portugueses prediletos, para fechar a tampa dessa garrafa atirada aos náufragos: "Ainda não é o fim/ Nem o princípio do mundo/ Calma/ É apenas um pouco tarde". E é. Para Dilma, pelo menos.


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