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Duarte Líbano Monteiro 28 de Março de 2016 às 21:20

2016: o ano em que voltamos a olhar para o resto do mundo

Todas as empresas com experiência internacional, quando questionadas sobre as dificuldades de fazerem negócio no exterior, referem as operações de câmbio, dado que representam um risco que pesa diretamente na conta de resultados.

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O ano de 2015 foi positivo para as exportações portuguesas. De acordo com os dados preliminares revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no ano transato, as mesmas chegaram quase aos 50 mil milhões de euros (49.860.200.104 euros se quisermos ser precisos), o que representou um crescimento de 3,65% face a dados provisórios de 2014. Mas se é verdade que as exportações como um todo registaram um aumento relevante, é igualmente verdade que para fora da União Europeia (UE) decresceram de cerca de 14 mil milhões de euros em 2014, para 13 mil e quinhentos milhões no ano passado – uma queda de mais de 3%.

 

É normal, e até natural, que as empresas portuguesas privilegiem os negócios com outras que, não só estão mais próximas geograficamente, como utilizam a mesma moeda, anulando assim os riscos cambiais de negociar noutras divisas. A esse respeito, não espanta que apenas as exportações para países como Espanha, Alemanha e França tenham totalizado 48% do total do montante exportado em 2015.

 

Mas a facilidade e a familiaridade que negociar dentro do conforto da UE significa não justifica que o resto do mundo seja "esquecido", chegando a ponto de registar evoluções contracíclicas, como foi o caso de 2015. Todas as empresas com experiência internacional, quando questionadas sobre as dificuldades de fazerem negócio no exterior, referem as operações de câmbio, dado que representam um risco que pesa diretamente na conta de resultados.

 

Aprender a viver com o risco da taxa de câmbio não é uma tarefa fácil, especialmente para as empresas de pequena e média dimensão que estão a iniciar a sua aventura além-fronteiras. Assim, para que o aumento da exposição a mercados voláteis não represente uma experiência adversa, a estratégia deve passar por uma busca constante pela previsibilidade no planeamento das operações de exportação e, acima de tudo, no retorno do investimento. Isso é conseguido através de uma gestão ativa dos riscos, envolvendo o uso de ferramentas transparentes, simples e acessíveis que garantam um certo preço de convertibilidade da moeda durante um determinado período.

 

Afinal, o segredo do sucesso de uma empresa exportadora não está no aproveitamento dos mercados financeiros (se a aposta é este ou aquele país, a curto ou a longo prazo, acabam sempre por ter consequências), mas na defesa contra eles, na medida do possível, e na concentração de todos os esforços da empresa para disponibilizar ao mercado aquilo que ela sabe fazer.

 

Ora, se olharmos para os dez principais destinos fora da Zona Euro – por ordem decrescente de montante exportado: Reino Unido, Estados Unidos, Angola, China, Marrocos, Brasil, Polónia, Argélia, Suíça e Suécia – verificamos que apenas um deles - Angola – deverá ver a sua moeda desvalorizar-se face ao euro. Os restantes países enfrentam uma conjuntura económica favorável para compra de produtos desde Portugal, devido à desvalorização esperada do euro em relação à sua moeda local.

  

Países como os Estados Unidos, o Reino Unido, a China, o Brasil, a Polónia, Marrocos e a Suécia estão perante uma oportunidade de negócio para comprar bens ou serviços portugueses, cujo preço será mais competitivo, devido ao baixo custo do euro. Esta evolução cambial representa assim uma oportunidade inescapável para as empresas portuguesas, e 2016 poderá e deverá (!) ser o ano em que voltamos a dar uma oportunidade ao resto do mundo.

 

Diretor-geral da Ebury para a Península Ibérica

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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