João Quadros
João Quadros 19 de julho de 2013 às 09:36

A costa das cagarras

Adoro o cheiro a salvação nacional pela manhã. Já aqui escrevi, há mais de dois anos, "Um Governo de Salvação Nacional é, normalmente, constituído por partes que, isoladas, são responsáveis pelo problema.

Adoro o cheiro a salvação nacional pela manhã. Já aqui escrevi, há mais de dois anos, "Um Governo de Salvação Nacional é, normalmente, constituído por partes que, isoladas, são responsáveis pelo problema. E parte do pressuposto de que a soma dessas partes é grande parte da solução para o problema criado pelas partes. Simplifiquemos - é como juntar o vírus do sarampo com o vírus da papeira e acreditar que, assim, vamos conseguir obter a cura para quase todos os males da infância." Sou como o nosso PR, adoro citar-me. Quando me cito crescem-me os mamilos.


Na crónica da passada semana fiz figura de Marcelo e falhei, redondamente, as minhas previsões. Surpreendentemente, Cavaco passou do "depois não digam que não avisei" para o "por esta é que não esperavam, seus macacos." Passos e Portas zangaram-se e fizeram birra, e o presidente chegou à conclusão que o líder da oposição é que tinha de desatar isto. Seguro vai resolver a crise no governo e Cavaco vai descansar para Castel Gandolfo. O que mais me surpreendeu foi Passos Coelho não ter enviado a decisão de Cavaco para o TC.


De surpresa em surpresa, o PS aceitou ir conversar com o "governo" (ao mesmo tempo votava pela queda do "governo") para o tentar salvar. Seguro fez o papel do indivíduo, que vive num monte isolado, a quem levam tudo o que juntou até agora, porque apareceram uns senhores de gravata que lhe disseram que aquilo não valia nada porque ia acabar o Euro.


O PS juntou-se ao PSD, e ao CDS, para, numa semana, resolver todos os problemas do país. Eu convencia-os a ficar a trabalhar no fim-de-semana para resolver a fome em África, o conflito na Síria e apanhar de vez o touro fugitivo de Viana do Castelo. Uma coisa é certa, se isto correr bem podemos exportar salvação nacional.


Os comunicados do PS, que explicam que os encontros não são com o governo (estavam presentes 3 ministros e 2 secretários de estado) mas com os representantes dos partidos, fazem parte do livro de estilo do ex-ministro da Propaganda do Iraque. A lógica é: se não levam pin de Portugal não contam como governantes. Isso, e o Mota Soares ir de moto, são a prova que aquilo não é o governo. O mais curioso é que temos o PS a fingir que não está a reunir com o governo, e o PSD a enviar, às reuniões, tudo o que é gente que pode pôr em causa a declaração do PS de que não estão a reunir com o governo.


No meio do caos, o PR resolve ir fazer um cruzeiro à Macaronésia. Não dava para mudar. Já estava marcado. É uma quadragésima segunda lua-de-mel e o nosso PR não tinha coragem de chegar a casa e dizer: "Querida, afinal ainda não é este ano que te levo para uma ilha isolada, só eu e tu; e a minha comitiva". Podem chamar-me Velho do Restelo (só uma vez), mas tenho dificuldade em aceitar esta viagem do PR às Selvagens. Segundo ouvi dizer, uma das razões da pernoita do Presidente da República nas Selvagens está relacionada com a velha disputa territorial com Espanha. Mais uma razão. Se é uma questão territorial bastava fazer chichi em tudo o que é poste nas Selvagens, escusava de lá ficar a dormir.


A minha noção de Salvação Nacional leva-me a deixar aqui uma ideia: podíamos poupar 80 mil euros se a viagem de Cavaco fosse só de ida (vai custar 160 mil euros). Dizemos que fazia parte do corte de 4,7 mil milhões no estado. Uma grande caminhada começa sempre com um pequeno passo.

 

 

 

Top five Macaronésia


1. Fernando Seara compromete-se para mandato de oito anos em Lisboa - ou um campeonato ganho pelo Benfica.

2. Transportes públicos perdem 11% dos passageiros até Março - podem estar de lado, entalados nas almofadas dos bancos. Vejam lá isso, acontece-me muito com os telecomandos.

3. "Carrascos" = "qualquer elemento de perturbação". "Irrevogável" = volto já - e depois o acordo ortográfico é que dá cabo da língua.

4. Papa perdoa pecados a quem o seguir no twitter - Igreja precisa de Marketing mais agressivo. Exemplos: seguidor 3 milhões ganha uma canonização em Palma de Maiorca; Vaticano promete o inferno a quem não seguir o Papa no twitter.

5. 8.ª Avaliação adiada para Agosto - saudades da "irresponsável" greve dos professores em dia de exames.

 

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