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A família do PSD

O PSD parece um edifício onde se fez um simulacro de incêndio, mas na hora da verdade o alarme não funcionou porque estava desligado.

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Em momentos de desaceleração histórica, como os que vivemos, sabe-se como começam os acontecimentos políticos, mas nunca se adivinham como acabam. O PSD parece um edifício onde se fez um simulacro de incêndio, mas na hora da verdade o alarme não funcionou porque estava desligado. Nunca importou esse pequeno detalhe: quando os alarmes de incêndio tocavam, por mero acaso do destino, também ninguém lhes prestava atenção. Agora, pela primeira vez, as sirenes estão a tocar todas ao mesmo tempo e o som é estridente. Mesmo que Marcelo Rebelo de Sousa apele à "unidade da família", esta parece estar num processo de distribuição de heranças. Ninguém se entende. Santana Lopes quer ir fazer o "verdadeiro PSD" fora do PSD e, com sorte, poderá eleger-se para o Parlamento Europeu e começar internamente um movimento que, com algum populismo cozinhado à medida dos telejornais e das redes sociais, sonhará com um quinhão de poder. Pedro Duarte quer chegar depressa ao poder e, por isso, atravessou o Rubicão e desafiou abertamente o líder. Luís Montenegro deixou-se ultrapassar na cavalgada.

 

Rui Rio, cujo modelo de liderança parece fotocopiado de Mariano Rajoy, acredita que o imobilismo dá frutos. O seu objectivo não é fazer sonhar, nem liderar, nem disciplinar. A sua táctica é permanecer e esperar que a decadência da maioria lhe propicie a chagada a São Bento de forma natural e sem esforço. Esperar por esse momento é mais importante do que o PSD ter um líder, um programa, um projecto ou mesmo um partido forte e unido. O problema é quando fala. Tudo se desmorona, como mostrou na Madeira: pedir vários "Albertos Joões" para o país, como modelo de liderança e desenvolvimento económico, afugenta qualquer pacato ser. Rui Rio não quer fazer uma revolução liberal como Passos Coelho, mas também ainda não se percebeu o que deseja, para lá de esperar que o poder caia de maduro. É por isso que a "família" está à beira de um ataque de nervos. E em riscos de fragmentação.

 

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