Fernando  Sobral
Fernando Sobral 14 de janeiro de 2018 às 19:30

A grande ilusão política

A política é também ilusão, mas faltam Houdinis para os dias de hoje. E alguns, como Donald Trump, só fazem truques básicos.

Harry Houdini foi, como se sabe, um famoso ilusionista e, também, especialista em fugas. Tornou-se famoso porque conseguia libertar-se de cordas, caixas-fortes ou de baús fechados com cadeados. Ou mesmo conseguir sair de uma camisa-de-forças enquanto estava colocado, de cabeça para baixo, num arranha-céus. Através da ilusão fez com que os seus espectadores acreditassem no impossível. Ou seja: para tudo há uma escapatória. Mas tudo era um truque.

 

Extraordinário, mas sempre um truque. A política é também ilusão, mas faltam Houdinis para os dias de hoje. E alguns, como Donald Trump, só fazem truques básicos. Típicos das melhores criações de Walt Disney, como quando o rato Mickey tentou ser mágico. Faltam magos na política. Sobram mestres na arte da fuga. E, alguns outros, licenciados em contorcionismo. Lembre-se, por estes, o ministro Azeredo Lopes, ainda hoje celebrado pelas piruetas à volta de Tancos e do mistério das armas "furtadas" e da caixa a mais que foi "recuperada". Meses depois que se sabe? Que tudo foi uma grande ilusão.

 

Mais recentemente chocámos contra uma grande surpresa. O que é diferente de uma ilusão. A ministra Francisca van Dunem decidiu que era hora de, nestes tempos de aceleração comunicativa, dizer que o Governo não alinha nas previsões meteorológicas de Joana Marques Vidal. Aquilo que era um sinal de força, com eco para ser escutado em Luanda (mostrando que o Governo deseja a paz), acabou por colocar a ministra em campo aberto, sujeita às metralhadoras da oposição. Querendo mostrar que o Governo desaprova a política seguida pela PGR e pelo MP, Francisca van Dunem deu uma tonelada de cimento a Joana Marques Vidal para esta se manter no lugar. Mesmo que isso não seja a norma e dificilmente se entenda como pode, num sector como este, alguém poder controlá-lo durante 12 anos. J. Edgar Hoover, o "eterno FBI", ficaria feliz. Ao contrário do que se pensa, o Governo não está preocupado com o "dossiê Sócrates". Está com o "dossiê Angola". Será que é possível o Governo iludir o impossível?

 

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