Fernando  Sobral
Fernando Sobral 28 de fevereiro de 2018 às 19:14

A guerra civil no PSD

O que o novo tempo do PSD trouxe foi uma nova guerra civil interna feita à sombra da bananeira de um líder recentemente eleito em Congresso. O que é uma inovação política digna de referência.

O escritor romano Pompeo Trogo analisou os povos ibéricos há cerca de 2.000 anos e disso extraiu uma verdade que, às vezes, é difícil de contestar: "Preferem a guerra ao descanso e se não têm inimigo externo buscam-no em casa." Ou, muitas vezes, com requintes, debaixo da cama. O PSD, neste momento, parece uma tribo em pé de guerra. Os tambores não pedem chuva: desejam sangue. O que não deixa de ser uma característica que nem Freud, na sua divina bondade, conseguiria explicar. O PSD, em vez de, consagrado um novo líder (por muitas limitações que possa ter), ter optado por dirigir um "spa" e passar a pertencer a uma comunidade mística que pregasse a harmonia universal e o desaforo que a "geringonça" representa para isso, decidiu entrar num processo de autofagia. Cada partido pode tentar destruir-se a si próprio, mas este caso é preocupante.

 

Ontem todos os olhos estavam virados para Fernando Negrão. Para saber se era melhor, pior ou tão sofrível como Hugo Soares. Como se isso fosse a sua licenciatura como líder de uma bancada que detesta tanto Rui Rio como este a despreza e que irá colocar-lhe cascas de banana sucessivas debaixo dos pés. Mais emblemático, no meio desta esquizofrenia, é a saída de Passos Coelho do Parlamento. Marca o fim do ciclo da "ideologia da pobreza" e da inevitabilidade de os portugueses terem de sofrer sem fim para conseguirem um prato de sopa. Mas, a questão é que ainda não se viu, com um rei morto, o que traz de verdadeiramente empolgante o rei posto. Para já Rui Rio só ofereceu Elina Fraga, Fernando Negrão e a capacidade de o PSD se sentar à mesa para dividir o pudim dos frutos estruturais. O que é manifestamente pouco para ser uma opção válida para os portugueses. O que o novo tempo do PSD trouxe foi uma nova guerra civil interna feita à sombra da bananeira de um líder recentemente eleito em Congresso. O que é uma inovação política digna de referência. É a política de todos contra todos. Mas, enfim, o PSD nunca foi um partido como os outros.

 

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