Lino Maia
Lino Maia 21 de fevereiro de 2018 às 20:20

A importância das IPSS na economia portuguesa

O emprego remunerado na economia social, ao atingir 6% do emprego total, revelou uma capacidade empregadora superior a ramos de atividade tradicionalmente caracterizados pela utilização intensiva de trabalho.

A quantificação da importância económica das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) é apenas possível de forma aproximada, dadas as lacunas que ainda persistem em matéria de recolha e sistematização da informação estatística sobre este setor de atividade económica. Da informação estatística disponível, aquela que melhor se aproxima do universo de atuação das IPSS é a informação apurada pela Conta Satélite da Economia Social (CSES) 2013, que resultou de um estudo elaborado no âmbito do protocolo de cooperação entre o Instituto Nacional de Estatística (INE) e a Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES). A CSES abrange a totalidade das organizações que atuam no domínio da designada economia social, agrupadas em cinco grupos, designadamente cooperativas, mutualidades, misericórdias, fundações e associações e outras organizações da economia social.

 

Segundo dados da CSES, em 2013, a economia social representou 2,8% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) nacional e 6% do emprego total remunerado, sendo responsável pelo pagamento de 5,2% do total das remunerações. Em 2013, o ano em que se terá atingido o "pico" da crise económica e financeira, o setor da economia social revelou um comportamento económico francamente positivo quando comparado com o da economia nacional, em contraciclo, registando 61.268 entidades (em 2013) contra 55.383 (2010), um crescimento de 10,6% neste período. Ou seja, a economia social registou um aumento substancial em número de entidades, assim como do seu peso no emprego total e no emprego remunerado na economia nacional, além de um aumento da remuneração média por trabalhador face à média nacional, em comparação com os resultados apurados na CSES com dados de 2010. O contributo da economia social para a criação de riqueza (VAB) nacional manteve-se estável, o que significa, atendendo à redução do VAB nacional, que registou neste período, em termos relativos, um ligeiro acréscimo. Também se verifica que, em 2013, a economia social esteve presente transversalmente em todas as atividades económicas. As mais de 61 mil entidades registadas em 2013 na economia social estão presentes em todas as regiões NUTS III de Portugal, mas, constata a CASES, que se localizam com maior intensidade na Área Metropolitana de Lisboa (23%) e na Área Metropolitana do Porto (11,7%). Destas 61 mil entidades, 5.584 (9,1%) são IPSS.

 

Da análise comparativa do VAB e do emprego da economia social com alguns ramos de atividade da economia nacional, é possível apreender melhor a sua importância. Verificou-se que o VAB da economia social registou um valor superior a atividades como eletricidade, gás, vapor e ar frio, agricultura, silvicultura e pesca e ainda agroindústria e telecomunicações.

 

Já o emprego remunerado na economia social, ao atingir 6% do emprego total, revelou uma capacidade empregadora superior a ramos de atividade tradicionalmente caracterizados pela utilização intensiva de trabalho, como as "Atividades Financeiras e de Seguros" e as "Telecomunicações".

 

Destacando destes dados, a informação relativa às IPSS, e que evidencia o seu papel e preponderância no desempenho global da economia social, verifica-se que as mais de 5.500 instituições (9,1%) do total representaram 43% do VAB, 44,1% das remunerações e 60,4% do emprego remunerado.

 

Ministro em conferência sobre banco da economia social

 

Realiza-se na próxima segunda-feira, 26 de fevereiro, pelas 17 horas, na Sala de Atos da Reitoria do ISCTE-IUL, em Lisboa, a conferência "A importância para a sustentabilidade económica e social de um banco da Economia Social".

 

Organizada pelo CIRIEC Portugal, em parceria com o Jornal de Negócios, esta sessão contará com as intervenções de Alain Arnaud, presidente do CIRIEC Internacional e ex-presidente do Banque Fédérale Mutualiste (França), Léopold Beaulieu, ex-presidente do CIRIEC Internacional e presidente de FondAction (Grupo Desjardins, Canadá), António Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista Montepio e José Vieira da Silva, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

 

Ação de capacitação institucional de cooperativas portuguesas

 

A Confederação Cooperativa Portuguesa (CONFECOOP) organiza, nos próximos dias 26 e 27 de fevereiro, em Braga, uma ação de formação em gestão organizacional, dirigida a dirigentes cooperativos e técnicos de apoio à gestão e à decisão. Esta ação visa dotar os quadros e dirigentes da Confederação e das cooperativas associadas de conhecimentos e ferramentas de intervenção que permitam melhorar a gestão das cooperativas e a qualidade dos serviços prestados, numa perspetiva de desenvolvimento sustentável. A formação terá seis módulos com uma duração total de 14 horas. Mais informação em cases.pt.

 

Presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS)

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Beatos há muitos ! 22.02.2018

Sempre o escudo da caridadezinha e dos necessitados, e há conta deles recebem chorudos subsídios e dádivas e montam negócios, fazem-me lembrar os comunistas, tambem vivem da miséria dos cidadãos, O QUE SERIA DA IGREJA E DOS COMUNISTAS E DESTES "IPSS" SE NÃO HOUVESSEM POBRES ? inventavam-os !

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