Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 19 de agosto de 2019 às 18:33

A loucura do imperador

O imperador louco só pode ser travado pelas consequências, é a evidência dos efeitos que o travará, mas só depois de ter destruído o que antes foi feito, provocando um ambiente de desconfiança que já não será possível corrigir - e é isso que identifica o fim do império.

A FRASE...

 

"O PS está a deixar que as suas pulsões escondidas, jacobinas, de intervenção estatal, de condicionamento da livre expressão e de intolerância apareçam à superfície e se transformem em método de acção."

António Barreto, Público, 18 de Agosto de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Há uma correlação forte entre a loucura dos imperadores e o fim dos impérios, mas a causalidade pode ser inesperada. Não terá de ser a loucura de um imperador que desencadeia o fim de um império, desde que haja forças suficientes na sociedade ou na estrutura de ordem internacional para conter os seus excessos ou para mudar de imperador antes que a sua loucura produza os seus efeitos. É a decadência de um império que enlouquece quem for escolhido para imperador nesses tempos do fim, depois de ter enlouquecido os que o escolheram para essa missão impossível. Quando o imperador enlouquece, é inútil tentar argumentar, porque está preso num labirinto de espelhos, para onde quer que olhe só se vê a si mesmo, a sua imagem é repetida até ao infinito. O imperador louco só pode ser travado pelas consequências, é a evidência dos efeitos que o travará, mas só depois de ter destruído o que antes foi feito, provocando um ambiente de desconfiança que já não será possível corrigir - e é isso que identifica o fim do império.

 

Trump é o imperador do fim do império americano e do padrão de ordem mundial que o seu sistema de alianças configurou. O que tem um efeito prático imediato: pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, as crises na Europa, ao nível da União ou ao nível de cada Estado, na política, na defesa ou na economia, irão evoluir, e terão de ser resolvidas, sem a referenciação e sem a arbitragem, da "nação indispensável". Um terramoto desta magnitude no Atlântico gera ondas gigantes nas costas, de um lado e do outro. É o regresso ao estado da natureza, da desconfiança de todos em relação a todos.

 

É esta nova realidade efetiva das coisas que agrava os efeitos do retorno do PS à sua natureza primitiva, agora que não há forças externas ou internas para conter os seus excessos: é a tragédia dos Bourbon, não aprendem nada e não esquecem nada. Mas nas novas condições da desordem internacional impostas pela loucura do imperador, será preciso ir até às últimas consequências para denunciar os que as provocaram.

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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