Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 18 de maio de 2017 às 19:23

A tentação de atirar dinheiro  

Ninguém como a função pública ganhou com o Governo de António Costa. Os trabalhadores do Estado passaram a trabalhar menos horas, recuperaram o salário que tinham perdido com o ajuste da troika.

António Costa já mostrou que é um político hábil e um homem com sorte. Tudo parece correr bem, a economia cresce, as contas públicas (apesar do problema da dívida) dão sinais de estabilidade, o desemprego baixa, os juros batem mínimos. As exportações aumentam de forma sustentada, Portugal está na moda e o turismo e imobiliário registam recordes.

 

A médio prazo, nem é preciso mexer muito para as coisas continuarem a correr bem. Basicamente enquanto os juros estiverem historicamente baixos, graças à acção do BCE, e o petróleo estiver em níveis controlados, tudo está tranquilo. O andamento normal da economia permitirá alguma folga. O problema é que já se notam sinais preocupantes para o futuro.

 

Ninguém como a função pública ganhou com o Governo de António Costa. Os trabalhadores do Estado passaram a trabalhar menos horas, recuperaram o salário que tinham perdido com o ajuste da troika. Agora algumas centenas de milhares ganham uma promoção salarial com o descongelamento de carreiras. E perto de 50 mil  pessoas  com contrato precário vão alcançar ligação permanente ao quadro.

 

A ilusão do fim do tempo das vacas magras já despertou várias pressões no seio da máquina do Estado. Os médicos fizeram greve, os juízes protestam e a Fenprof voltou às manifestações, exigindo um regime excepcional de aposentação antecipada para os docentes. Até na GNR tem havido episódios de protestos contra a tutela, apesar de já terem sido promovidos mais de 600 militares.

 

Todas as acções de protesto são legítimas, mas o pior que pode acontecer é a repetição de cenas do passado que deram maus resultados. Com bons indicadores e necessidade de política de agradar para permanecer no poder , há a perigosa  tentação de atirar dinheiro para resolver os  problemas.  Se isso acontecer, é sinal de que ninguém aprendeu nada com a mais recente crise.

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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