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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 12 de Fevereiro de 2012 às 01:59

A árvore das patacas

Todos os clubes portugueses gostariam de ser como o Real Madrid ou o Manchester United ou ter como mecenas o sr. Abramovich. Lamentavelmente não é possível. Têm de se contentar com menos receitas televisivas. E têm de aprender a pagar os impostos a tempo e horas.

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De que falamos quando falamos de dinheiro no futebol português? De receitas mas não de dívidas. Estas são encaradas de forma infantil ou atiradas para a frente à espera de que alguém, um dia, e com um milagre qualquer, as resolva. Todos os clubes portugueses gostariam de ser como o Real Madrid ou o Manchester United ou ter como mecenas o sr. Abramovich. Lamentavelmente não é possível. Têm de se contentar com menores receitas televisivas, com menos patrocínios e com menos receitas de bilheteira. Por isso deveriam também saber fazer contas. Algo que não sabem ou não conseguem. O caso paradigmático do Sporting, que nos últimos anos sempre se gabou das suas "gestões profissionais", é sintomático de como se gerem clubes de futebol em Portugal. A sorte é que os clubes vivem de adeptos e de emoções e por isso sobrevivem à penúria e à incompetência.

Mas parece que ninguém ainda aprendeu que vivemos numa outra era. Onde há menos dinheiro e o crédito é mais difícil. A questão das dívidas dos clubes de futebol ao Fisco já não é um escândalo. É uma incredibilidade. Agora, os clubes, depois de sucessivas formas arranjadas para protelar o pagamento, querem mais um bónus de 10 anos para o fazer. E o Governo, mansamente, e em vez de dar um murro na mesa igual ao que tem feito com os comuns contribuintes, diz que vai analisar o caso e criar mais um grupo de trabalho para reflectir sobre o caso. Tudo seria anedótico se não fosse real. Os clubes ou querem ser profissionais ou não querem, ou querem ser empresas ou não querem. Não podem é querer ter os benefícios de uma coisa e não ter os encargos inerentes.

Esta benesse aos clubes é mais uma afronta à sociedade portuguesa cercada pelos impostos. É certo que em momentos de crise é preciso futebol e bolas de Berlim para animar a rapaziada desesperada, mas esta não é uma forma séria de resolver o problema. Tudo isto surge num momento em que o Benfica surge como o 21º clube mais rico da Europa, mas cujas receitas mostram uma percentagem ínfima gerada pelas receitas televisivas. Mas, em Portugal, é difícil que elas subam muito. Com o sr. Paes do Amaral fora da corrida, o sr. Luís Filipe Vieira já mostrou, nas entrelinhas, que o clube está condenado a entender-se com a Olivedesportos. Esta terá de abrir um pouco mais os cordões à bolsa, o Benfica resmungará, mas aceitará. Até porque não se sabe o que será a nova política da Liga de Clubes na redistribuição dos dinheiros televisivos. No fundo, o futebol tornou-se num espectáculo e num negócio. Tem emoção mas tudo gira à volta de dinheiro. E da árvore das patacas que é preciso semear para colher.
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