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Sérgio Figueiredo 07 de Julho de 2005 às 13:59

A anti-pedagogia

Podia ter aprendido. À primeira, quando prometeu. À segunda, quando garantiu. Mas não. E, assim, à terceira voltou a repetir o erro: não há mais aumentos de impostos. Sócrates não é troca-tintas, não é principiante, não é daqueles que explora a boa-fé do

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Agora reconhece o erro de avaliação, quando prometeu em campanha que não aumentava impostos. E foi convincente nesse reconhecimento.

Agora admite a ignorância, quando, já eleito, um mês em funções, foi à RTP reafirmar o contrário do que toda a gente sabia, mas ele não via. E foi persuasivo nessa admissão.

Mas enfiou-se anteontem no mesmo beco. Novamente o convidaram. E novamente entrou sem hesitar. Sem a certeza de encontrar a saída.

Sócrates não sabe, nem sequer imagina, qual é a próxima surpresa que arrisca encontrar ao virar da próxima esquina. Os tempos estão demasiado imprevisíveis...

Mandava, pois, a mais elementar das precauções que evitasse afirmações peremptórias. Ainda por cima, Sócrates. Ainda para mais, impostos. Logo ele, o último português que, nesta matéria, está em condições de dar certezas.

A entrevista de Sócrates à SIC não lhe correu nada mal. Para uma audiência de grandes massas, o primeiro-ministro deu explicações simples para os casos mais complicados destes meses iniciais do mandato.

Gomes na Galp é um escândalo? Bem, ele não tem uma boa imagem, mas Ferreira do Amaral também não percebia de petróleos. E a administração da PT, é para mudar? Não é tema para se tratar na TV e o dossier é do ministro.

As pensões do Banco de Portugal, não são chocantes? As regras vão ser mudadas e o ministro das Finanças, como o das Obras Públicas, abdicaram das suas e agora «pagam para estar no Governo».

E os grandes projectos? O TGV e a Ota? E há dinheiro para isto tudo? Pois Sócrates defendeu as razões óbvias para este esforço nacional, afirmou o que é verdade, que a mobilidade é crucial para a competitividade da economia, que também não há economia competitiva sem cidades competitivas.

Sim, e o dinheiro? Pois é por haver dinheiro disponível, ou seja fundos comunitários, é por não nos podermos dar ao luxo de os desperdiçar, que estamos a lançar estas obras todas, estes investimentos descomunais.

Fora o deslize dos «impostos», Sócrates «ganhou» esta entrevista. A mensagem passou para o comum dos mortais. A sua essência é demagógica e perigosa. Porém imperceptível. Logo, eficaz.

É Murteira Nabo quem substitui Ferreira do Amaral, sem «know how», mas ninguém questiona isso. É a ignorância de Gomes que está a exercer funções executivas. E a administração da PT não é assunto de ministro, mas dos accionistas. Muitos deles, por sinal, investidores estrangeiros.

Ter dinheiro para gastar é a pior das razões para promover grandes projectos. E «pagar para estar no Governo» é um argumento que não qualifica ninguém.

Sócrates saiu da entrevista mais popular. E o país mais estúpido. A imagem está boa. Caprichada com anti-pedagogia e com ligeiro aroma de populismo.

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