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João Quadros - Argumentista 02 de Agosto de 2013 às 00:01

A arte da troca

Como já estamos todos de férias - mais ou menos - resolvi optar por um tema leve mas que me chateia profundamente. A leveza começa assim.

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Como já estamos todos de férias - mais ou menos - resolvi optar por um tema leve mas que me chateia profundamente. A leveza começa assim. Por que raio é tão complicado, neste país, trocar um produto/electrodoméstico que acabámos de comprar e não estava em condições; ou não nos satisfazia?!


O que mais incomoda um funcionário de uma loja de electrodomésticos é: ver um produto a fazer o sentido inverso do que ele esperava. Para um empregado de loja de electrodomésticos, qualquer dos produtos que sai de lá, já não volta a entrar. É como se tivesse casado com o cliente e abandonado o lar; portanto, ele que não pense em voltar. Por isso é que o funcionário faz aquele ar de chateado quando regressamos à loja com o dito produto. Se uma pessoa vai trocar um aspirador que ardeu assim que o ligámos, a primeira reacção do funcionário é fazer ar de quem nunca viu um aspirador - um huno teria a mesma expressão perante um frigorífico. A forma de olhar para o produto, que ainda ontem estava na loja, é a oposta ao dia anterior; quando nos vendeu o produto. O olhar de orgulho, por aquela loja vender aquele divinal aspirador, é substituído pelo ar de quem não o conhece. De quem nunca viu mais gordo aquele electrodoméstico. Renegam três vezes o Rowenta, e a primeira pergunta é: "tem a certeza que foi comprado aqui? " . Só lhes falta acrescentar: "nesta farmácia". Mostram desconhecimento e evitam tocar no dito mantendo uma certa distância, só numa segunda fase é que lhe tocam.


Quando mostramos a factura que esclarece a proveniência do dito , de imediato vem a habitual pergunta: "quando chegou a casa ligou-o logo?" - Dá vontade de responder: "Não. Coloquei-o no congelador vinte minutos só para refrescar. Claro que o liguei logo. Que é que queria que fizesse?! Que o pusesse no meio da sala e ficasse a olhar para ele - hum, este aspirador é tão bonito que nem vou ligá-lo não vá ele ser alérgico ao pó e pegar fogo, como é costume."


Como escapámos com vida à primeira pergunta vem a rasteira: "Quando chegou a casa ligou-o logo no máximo? " E fazem a pergunta com ar da mais absoluta normalidade (como se ligar no máximo fosse bom para o animal) mas se calha respondermos, sim, de imediato, acrescentam, mudando de expressão facial, para quem acabou de ver diagnosticado lepra num Rowenta: "Ligou no máximo! Então não sabe que não se pode ligar no máximo da primeira vez que se liga!" E finalmente, se conseguirmos escalar a bateria de questões vem a pergunta mais irritante: "…e guardou a caixa? Sem caixa não trocamos nada." Normalmente a minha resposta à afirmação - sem caixa não trocamos nada - , costuma ser: "e sem pernas não se consegue trabalhar." No meu caso , tinha guardado religiosamente a caixa no jazigo da família, e não me conseguiram surpreender. Ultrapassada a prova da caixa passam às perguntas técnicas: "Este é wx230 de 20000, ou é o KC3 de 15000 watts? - Eu penso um bocadinho e respondo - Eu diria que é um L123 a gasóleo mas confesso que na faculdade me baldei às aulas práticas de aspiradores.


Chegados aqui , eles começam finalmente a pôr a hipótese de trocar o aspirador , mas não se despedem sem uma última humilhação. O aspirador que ainda no início desta crónica era olhado como um electrodoméstico nojento agarrado ao calcário, que eles não conheciam de lado nenhum, volta ser a mais perfeita das máquinas inventadas pelo ser humano; diz o funcionário: "É muito estranho, porque estes são os melhores, e ainda não apareceu ninguém a queixar-se deste modelo." A minha resposta é: "se calhar, pereceram no incêndio." Simplifiquem, se faz favor. Boas férias.

 

 

 

 

Top five Agosto

 

1. Assessor diz que "interesses" levam à saída de Álvaro - está a confundir uma pessoa sem interesses com uma pessoa sem interesse nenhum. Falta alegar que há um preconceito aristocrático e reaccionário contra o Álvaro.

2. Currículo omite cargo de Machete na SLN - Isto é embirração. Pediram o currículo, não pediram o cadastro. Espero que não paguem nada ao Dr Rui Machete, porque nós já pagámos.

3. Ministra das Finanças acusada de mentir no parlamento - Maria Luís refugia-se na sede do banco BIC e pede asilo político.

4. Vale e Azevedo retira passagem pela presidência do Benfica do currículo e pede libertação imediata.

5. Colecção de moedas que Maria Luís comprou ao banco BIC tinham a efígie de Rui Machete.

 

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