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James Charrington 27 de Fevereiro de 2012 às 11:04

A atração pelo "yield"

O ano passado foi volátil para os mercados financeiros e os títulos de dívida de elevado rendimento não foram excepção.

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O ano passado foi volátil para os mercados financeiros e os títulos de dívida de elevado rendimento não foram excepção. Apesar do impacto negativo de curto prazo de eventos exógenos na zona euro e não só, as baixas taxas de juros e a conjuntura de baixo crescimento deverão ser favoráveis a obrigações "high yield".

É esperado que os temas alarmantes que têm dominado os mercados financeiros ao longo dos últimos trimestres continuem a perturbar, a curto prazo. As economias desenvolvidas devem continuar a responder aos seus substanciais défices fiscais e, em muitos casos, ao endividamento das famílias, que continua a ser demasiado elevado.

Apesar das medidas de estímulo fiscal e de política monetária terem, inicialmente, facilitado a recuperação, os mercados globais estão agora a forçar os governos a reduzir os seus encargos de dívida soberana, resultando na redução de despesas fiscais. Os bancos também continuam a diminuir a sua alavancagem, reduzindo os seus activos externos e recuando nos empréstimos. Neste ambiente as empresas que antes pediam dinheiro emprestado aos bancos procuram financiamento noutros lugares. Nesta conjuntura o mercado de títulos oferece uma atraente fonte alternativa de financiamento.

Enquanto permanece a incerteza sobre a trajectória do crescimento económico global e o medo de contágio para além da periferia da Zona Euro, é possível que a liquidez em muitos mercados financeiros, incluindo os de elevado rendimento, continue anémica e com uma elevada volatilidade. A aversão ao risco fará com que os comerciantes mantenham os seus inventários baixos, reduzindo, desta forma, a incerteza. Naturalmente, o risco sistémico e o crescimento a longo prazo também serão influenciados por decisões políticas de curto prazo. Objectivamente, a crise da dívida da zona do euro representa um risco para a recuperação económica global, assim como o impacto da desaceleração, mais violenta ou mais tranquila, da economia chinesa. Todavia, enquanto persistir a volatilidade macroeconómica, os fundamentos excepcionais sugerem que os emissores de "high yield" não estão dependentes das melhorias económicas e ainda podem florescer neste clima lento e sem crescimento.

Durante a crise financeira, as empresas agiram muito rapidamente para reduzir as suas despesas, e procuraram refinanciar grande parte das suas actividades, o que assegurou balanços em excelente situação. Os lucros das empresas também se mantiveram relativamente robustos, ao longo de 2011. Além disso, a significativa melhoria na liquidez, a redução da dívida e uma maior disponibilidade de capital, reforçaram as condições para a dívida de notação especulativa. Assim, apesar da severa debilidade macro, o sector empresarial continua a superar a economia global.

Tendo presente o perfil sólido do emitente alavancado comum, acreditamos que as actuais avaliações tornam os elevados rendimentos mais atractivos, enquanto compensam, generosamente, os investidores para os potenciais riscos. A composição das novas emissões, desde o início de 2009, com um aumento na qualidade e foco das empresas na desalavancagem, significa que o mercado "high yield" está em relativa boa forma, embora se mantenham os actuais níveis de incerteza nos mercados e um risco excessivo.

Muito embora as taxas de incumprimento se conservem abaixo das suas médias históricas, os títulos de "high yield" oferecem, actualmente, um retorno de 8,7%, em comparação com os 1,9% do Tesouro Norte-Americano (a 10 anos) e um rendimento dos dividendos ("dividend yield") de 2,6% no S&P 500 (em 16 Dezembro de 2011). Por outro lado, como os "spreads" aumentaram para níveis historicamente elevados, eles deverão manter um bom desempenho, mesmo numa fraca conjuntura económica. Esta combinação de rendimentos atractivos, tendências de crédito empresarial sólidas e expectativas de incumprimento modestas, deverá impulsionar uma procura consistente por títulos "high yield", enquanto os mercados digerem a turbulência global e desvanece a aversão ao risco.



*Gestor do BGF Global High yield Bond

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