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André Veríssimo - Diretor averissimo@negocios.pt 04 de Dezembro de 2012 às 23:30

À beira do precipício orçamental

A austeridade não é um exclusivo europeu. Nos EUA o debate também está quente. O "precipício orçamental" é apontado como o principal risco para a economia e a estabilidade dos mercados financeiros. Mas será que, à beira do penhasco, Obama e os congressistas republicanos vão dar um passo em frente e cometer um suicídio político?

Em causa estão cerca de 600 mil milhões de dólares que podem desaparecer da economia a 1 de Janeiro. Dinheiro de isenções e benefícios fiscais que expiram. E autorizações de despesa pública para programas sociais, de saúde e militares que chegam ao fim. A soma equivale a 4% do PIB. Se nada for feito, é quase certa uma contracção da economia nos primeiros meses de 2013.


O corte no rendimento das famílias não se compara ao que os portugueses vão sofrer no próximo ano. O simulador lançado pelo "site" creditcards.com indica que um casal com um rendimento bruto anual de 85 mil dólares, que beneficie de duas excepções fiscais, perde 5% do rendimento se os EUA caírem no precipício.

A incerteza sobre um acordo entre democratas e republicanos no Congresso já está a penalizar a economia, paralisando decisões das empresas. Um efeito semelhante ao que teve por cá a ideia de um aumento da TSU para os trabalhadores. As encomendas dos gestores de compras caíram em Novembro nos EUA para o valor mais baixo em dois anos e meio, o que indica uma menor actividade na indústria.

Além deste efeito, passageiro, tudo aponta para que o "precipício orçamental" seja mais um efémero acontecimento no circo mediático americano. O termo foi cunhado pelo presidente da Fed, Ben Bernanke, em Fevereiro, num apelo ao Congresso para o evitar. Durante meses ficou esquecido. Só saltou para a ribalta após a reeleição de Obama, com as estatísticas do Google a mostrarem um disparo na pesquisa pelo termo "Fiscal Cliff". O tema domina desde então, numa espécie de sequela da eleição presidencial. Os republicanos continuam a acusar os democratas de sufocarem as famílias com impostos, em vez de cortarem na despesa pública. Os democratas apontam o dedo aos republicanos por quererem manter os benefícios fiscais para os ricos.

A disputa deverá durar mais algum tempo. Mas nenhum partido quererá ficar com o ónus de atirar a economia americana para a recessão. O acordo chegará, provavelmente até ao Natal, o prazo que Obama impôs a si próprio. O verdadeiro problema – o endividamento público excessivo dos EUA – será empurrado com o abdómen. Até que voltem as dores de barriga.

Editor de Mercados Financeiros

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