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Ana Pinheiro 19 de Abril de 2010 às 11:43

A corrupção influencia ou não o mercado de acções?

De acordo com o Banco Mundial, "a corrupção é o maior obstáculo para o desenvolvimento económico e social". Mas será a corrupção sempre prejudicial para a sociedade? De modo a analisar o impacto da corrupção na economia, termos um...

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De acordo com o Banco Mundial, "a corrupção é o maior obstáculo para o desenvolvimento económico e social". Mas será a corrupção sempre prejudicial para a sociedade?

De modo a analisar o impacto da corrupção na economia, termos um instrumento que quantifique o estado de um país é imprescindível. Um bom exemplo será o mercado de acções.

Num estudo que abrange 47 países de condições económico-sociais distintas entre 1984 e 2008, bem como os índices de corrupção publicados anualmente pela Transparency International e pelo PRS Group International Country Risk Guide, visou-se quantificar o impacto da corrupção no mercado de acções.

A corrupção pode ter um impacto negativo nos retornos do mercado de acções, representando o desvio de recursos da actividade económica do sector formal da economia. Isto levaria a que menos inputs de produção fossem aplicados pelo Governo, causando assim um decréscimo no retorno de mercado enquanto proxy para o crescimento económico.

Contudo, esta ligação pode não ser a que realmente se verifica. A "história de corrupção" de um dado país pode funcionar como um risco acrescido em que o investidor incorre. De outro ponto de vista, a presença da corrupção pode ser ainda considerada como um imposto; os investidores sabem que terão de suportar custos extra para, por exemplo, abrir uma empresa, impondo assim um maior rendimento à partida, de forma a serem compensados por esses custos adicionais.

Mas e se a corrupção funcionasse como segunda alternativa? Se, por o sistema de incentivos não ser o mais adequado, a corrupção fosse uma prática que acelerasse o funcionamento económico, ajudasse a ultrapassar a burocracia excessiva, acabando por ter um impacto positivo na economia e consequentemente no mercado de acções?

De acordo com os resultados deste estudo, nos países mais desenvolvidos, com sólidos indicadores macroeconómicos, a corrupção está inversamente relacionada com o mercado de acções, o que está de acordo com o senso comum. Contudo, em países em vias de desenvolvimento, maiores níveis de corrupção têm um impacto positivo no mercado de acções, o que nos leva a ponderar a existência da "second-best solution" acima referida. Por outras palavras, o sistema em vigor de um determinado país pode ser propício à proliferação da corrupção como solução alternativa. Qual a solução para este problema?

Por um lado, a explicação dos diferentes impactos da corrupção no mercado de acções não reside nos diferentes Produtos Internos Brutos (PIB) per capita. Por outro, os níveis de inflação num dado país parecem ser um ponto-chave: quanto mais elevada for a inflação desse país, maiores tendem a ser os coeficientes de corrupção nos retornos do mercado de acções. A inflação pode não ser necessariamente um instrumento para controlar os níveis de corrupção, mas é uma variável extremamente observável; se a população sentir que o país se encontra no "bom caminho", haverá uma menor necessidade de recorrer a actos corruptos.

Afinal, como combater a corrupção? Através da criação de um sistema de incentivos que não esteja distorcido. Para tal cabe aos Governos criar condições para que a corrupção não seja a hipótese mais rápida e viável.


Baseado no trabalho de projecto "Does Corruption Drive the Stock Market?, Mestrado em Economia, Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, 2010. Trabalho orientado pelo Professor José Tavares.


Aluna do Mestrado em Economia Faculdade de Economia da UNL






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