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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 21 de Outubro de 2008 às 13:00

A dança da chuva

As eleições são uma espécie de dança da chuva. Há alturas de chuva e há as de seca. Nos Açores choveu uma maioria absoluta mas houve uma seca de votos. Choveu mais nas margens (PP, BE, PCP) do que no centro (o PSD que o diga). Quer isto dizer alguma coisa? Talvez algumas coisas. A primeira é que, em momentos de crise, os extremos costumam fortalecer-se, porque a classe média, que gosta da segurança do centro, fica em casa, mostrando o seu enfado e receio.

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A segunda é que aqueles que podem fazer coisas, o Governo, têm o sol a seu favor. Os que apenas podem dizer coisas, encontram como interlocutores ouvidos de mercador. Há uma certeza apenas: a oposição ao Governo desloca-se para os extremos, enquanto o partido que circula no mesmo condomínio ideológico, o PSD, nem faz, nem pode dizer que pode fazer de maneira diferente. A vida não é fácil para um partido habituado ao poder e que se vê demasiado tempo fora dele. Seja nos Açores, seja no continente. O PSD tem falta de munições e, se isso foi visível nos Açores, é ainda mais claro com a deserção de alguns dos maiores apoiantes de Manuela Ferreira Leite. O PSD não tem agenda e não tem ideias suficientemente concretas para propor como alternativas ao que o PS está a fazer. A questão do PSD é de substância. Não basta dizer que não faria assim. Tem de afirmar o que faria e como o faria. A dança da chuva do PSD, até agora, teve como resultado um líder local que criou uma seca nos Açores, e uma líder que já nem tem um deserto para pregar.
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