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A degola dos optimistas

Quando, em Junho de 2012, escrevi um artigo em que mudava a minha atitude em relação à Bolsa portuguesa de pessimista (que durava há quase 5 anos) para optimista, hesitei muito na hora de carregar na tecla que enviaria o e-mail para a redacção do Jornal de Negócios. O clima económico era tão negro, o mercado vinha de 5 anos de quedas que até eu próprio duvidava de mim.

Nesse mesmo dia, o Pedro Santos Guerreiro escrevia na sua página do Facebook: "Parem tudo! Ulisses Pereira tornou-se optimista." Este comentário exponenciou o alcance do meu artigo mas as reacções que eu tive foram extremamente negativas. Os leitores bombardearam-me com e-mails acusando-me de irresponsabilidade por estar a falar em optimismo quando a Economia portuguesa estava no charco e as cotações das acções nacionais mais deprimidas do que nunca.

 

As subidas dos meses seguintes da Bolsa portuguesa não mudaram o tom da reacção sempre que alguém opina a favor das subidas no nosso mercado. Os optimistas são quase degolados, criticados da cabeça aos pés, quase fazendo parecer que são enviados do demónio para baralharem a cabeça de quem vive a dura realidade da economia portuguesa.

 

Outro dos momentos em que senti na pele essa reacção ao optimismo foi quando, no início deste ano, ousei afirmar que poderia ser possível a economia portuguesa crescer este ano, ao contrário de todas as previsões. É verdade que isso não vai suceder (apesar da enorme surpresa que foi o crescimento do PIB no segundo trimestre, o duro primeiro trimestre comprometeu essa possibilidade), mas a violência das reacções mostrou bem como é duro ser optimista, actualmente, em Portugal.

 

O que me assusta é que não é só nos mercados e na Economia que as opiniões optimistas são alvos de chacota e críticas ferozes. Quando um empresário está optimista sobre o futuro deste país, logo é acusado de ser afecto ao governo ou de dizer isso à sombra dos milhões da sua conta bancária. E, em boa verdade, Portugal está a precisar de empresários optimistas que acreditem no nosso futuro e invistam na nossa economia.

 

Bem sei que o drama social que tantos vivem, a enorme fatia da população portuguesa que não tem emprego, contribui para o ódio aos optimistas. Mas não crucifiquem quem não tem culpa da situação a que o país chegou.

 

Eu gostava de ser mais optimista. Gostava que a taxa de juro implícita dos juros da dívida portuguesa a 10 anos estivesse abaixo da resistência 6,4%. Gostava que o PSI tivesse quebrado, em alta, a resistência entre os 6300 e os 6350 pontos. Seriam os sinais que eu preciso para passar do meu optimismo moderado para um optimismo inequívoco, exuberante. Porque, apesar de entender que o país precisa de mais optimismo, neste mundo dos mercados financeiros, o pragmatismo é que nos faz ganhar dinheiro, seja no clã dos ursos ou dos touros.

Se ousar estar optimista em relação a algo no nosso país, pense duas vezes antes de o dizer em voz alta. Alguém o acusará de louco, irresponsável ou desconhecedor da realidade e as suas orelhas ficarão a arder. Mas, se estiver preparado para ouvir isso, não hesite em declarar o seu optimismo. Portugal agradece.

 

Comente aqui o artigo.

 

Nem Ulisses Pereira, nem os seus clientes, nem a DIF Brokers detêm posição sobre os activos analisados. Deve ser consultado o disclaimer integral aqui

 

Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com

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