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Raul Vaz 11 de Abril de 2007 às 13:59

A diferença

Quem, da direita à esquerda, vinha encontrando traços de afinidade entre Sócrates e Cavaco está certamente a perder essa ilusão – o que para muitos constituirá uma enorme desilusão. O caso do dossier académico do primeiro-ministro é um exemplo distintivo

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Cavaco tem autoridade, sempre a afirmou mesmo quando parecia excessivo – e algumas vezes o foi; Sócrates é um autoritário. Cavaco perdeu tempo a ler jornais mas nunca deu por perdido o tempo que dispensou a jornalistas; Sócrates perde demasiado tempo com jornalistas.

E terá julgado que bastavam uns telefonemas “furibundos” para o autoritarismo assustar a notícia; julgou que bastava pôr a correr a tese de retaliação à OPA para manchar a investigação de um jornal sério; julgou que alguém faria por ele o que só ele poderia fazer.

Foi esse o erro que gerou a enorme trapalhada das últimas três semanas e está a manchar a credibilidade do chefe do Governo e, por extensão, do próprio Governo; foi esse o erro que obriga o primeiro-ministro a misturar alhos com bugalhos na entrevista da justificação: é óbvio que já só conta o que ele conseguir dizer sobre o seu percurso académico, sendo supérflua qualquer apreciação sobre a sua governação. Tivesse Sócrates dito num primeiro momento o que hoje vai dizer e possivelmente teria evitado que se fosse tão longe – e já estamos no ano em que a desculpa para um currículo falso soa a falso. Sócrates esquece com frequência que para se ter autoridade é preciso dar o exemplo. Sem isso cai-se no autoritarismo vulgar. 

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