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Eduardo Moura emoura@mediafin.pt 20 de Abril de 2005 às 13:59

A enferrujada máquina americana

Preocupados que estamos com a economia europeia, tendemos a só ligar aos super macro-indicadores norte-americanos. Para além de um Nasdaq em pele e osso, da fragilidade do dólar e dos défices gémeos, ...

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Para além de um Nasdaq em pele e osso, da fragilidade do dólar e dos défices gémeos, há tendências alarmantes da economia dos EUA que devem ser avaliadas.

Uma das perguntas que ninguém parece saber responder é porque é que os EUA estão a perder a corrida da internet em banda larga (ver Thomas Bleha). Neste aspecto, a maior parte dos consumidores americanos continua a ter acessos básicos, lentos e caros. O mesmo fenómeno parece estar a suceder no domínio da telefonia móvel.

Aqui há 10 anos, argumentava-se que os países pioneiros teriam tendência para conservar equipamentos e tecnologias antigas, enquanto os países «atrasados» adquiriam logo modelos mais modernos. Por isso, em termos estatísticos, Portugal tinha em 1999 um parque de PC mais evoluído que o dos EUA.

Mas num mercado que renova os equipamentos de três em três anos, este argumento deixa de fazer sentido. Existe sem dúvida um problema de eficiência de mercado nos EUA.

Um dos dados mais perturbadores deste fenómeno (ver The New England Journal of Medicine, 2003) é o facto de os EUA gastarem em custos administrativos 31% da sua despesa em saúde, praticamente o dobro do que gasta o Canadá. Globalmente, os EUA gastam também, em saúde per capita, o dobro do que gasta a França. E todos sabemos quão pouco estatista é a saúde americana e quantos milhões de cidadãos estão fora do sistema.

Diante destes dois exemplos de ineficiências americanas, que se juntam às vulgarmente conhecidas, devemos questionar a razão que leva o sr. Greenspan a subir a taxa de juros da Fed, quando os salários crescem aquém da produtividade e, portanto, juros e lucros engordam. Sobem os juros mas a tensão inflacionista permanece.

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