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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 28 de Fevereiro de 2007 às 13:59

A eterna insatisfação

Os portugueses dizem que têm orgulho no passado. Recordam-se dele como um paraíso comparado com o inferno do presente. Do futuro nem se fala. Pensam que têm de o vislumbrar de óculos escuros. Compreende-se o nervosismo: olham para o Estado e, em vez de um

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Funcionários de fato cinzento que dizem defender os cidadãos e que a única coisa que fazem é defender-se a si próprios. E, por isso, a desconfiança aumenta. O que vêem os portugueses? Prometem-se reformas e a domesticação do "monstro" e apenas se assiste ao alargamento do pântano. Promete-se a modernidade e ela acaba por passar por menos escolas, mais impostos, menos hospitais, uma reforma mais longínqua.

Para os nossos cidadãos a segurança social tira o mais e oferece o menos. Como é que alguém lhe pode dar o benefício da dúvida? Só quem se encharca de Xanax para ver um futuro cheio de sol. Não surpreende que, segundo um estudo divulgado em Bruxelas, os portugueses sejam os cidadãos da UE mais insatisfeitos com o sistema de segurança social, com o de pensões e com o futuro.

Não espanta que os portugueses sejam fatalistas. Contra isto que pode fazer Sócrates ou a oposição? Como se contraria a insatisfação latente quando o que se pede são sacrifícios sem fim sem oásis à vista?

O Estado, para os portugueses, tornou-se um andróide sem sentimentos. Que os esmaga sem contemplações. A insatisfação tornou-se uma torre de Babel em Portugal. Nunca terá fim.

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