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A Europa está a recuperar

Nos últimos anos, as economias europeias atravessaram um longo período caracterizado por crescimento lento e recessão, mas, ao mesmo tempo, os investidores de acções europeias obtiveram retornos extremamente elevados

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Nos últimos anos, as economias europeias atravessaram um longo período caracterizado por crescimento lento e recessão, mas, ao mesmo tempo, os investidores de acções europeias obtiveram retornos extremamente elevados. Ou seja, as acções europeias mostraram-se rentáveis, apesar de terem gozado de fraca popularidade nos últimos anos. Estas acções conseguiram manifestar uma tendência positiva em condições económicas particularmente adversas, e agora, numa altura em que começam finalmente a dissipar-se algumas das nuvens que pairavam sobre a Europa, esta tendência poderá manter-se. As empresas europeias de qualidade, mesmos as que operam nas zonas periféricas, não precisaram de um rápido crescimento da economia no seu todo para oferecer retornos aos seus accionistas, o que indicia que mesmo uma aceleração moderada do crescimento nos próximos trimestres poderá impulsionar os mercados da região.


A Europa está novamente a crescer
Após vários anos de dificuldades, a Europa está finalmente a encontrar o caminho para sair da recessão, e aparentemente ter-se-á iniciado uma retoma cíclica gradual. A economia europeia real apresentou um crescimento homólogo de 0,1% no terceiro trimestre de 2013, o que representa o fim da recessão mais profunda que afectou a região desde a introdução da moeda única. Além disso, os dados económicos mais recentes indicam que o crescimento económico acelerou no quarto trimestre de 2013, levando o índice compósito de compras da Zona Euro a terminar o ano em alta e o seu índice de confiança económica a bater um recorde positivo de 29 meses em Dezembro.


Esta retoma, embora pareça ser real e abrangente, continua a mostrar-se ténue na maior parte dos países europeus, sem contribuir para a criação de emprego. A redução das taxas de desemprego terá de continuar a ser uma prioridade da classe política europeia. Além das suas consequências sociais dramáticas, o desemprego elevado também tem efeitos deflacionários, e embora talvez seja demasiado cedo para falar de deflação, o nível extremamente reduzido da taxa de inflação poderá comportar riscos para os países periféricos, dificultando-lhes a tarefa de aumentar a competitividade e reduzir o endividamento.


Diminuição das restrições orçamentais
No entanto, em 2014 e nos anos seguintes, temos boas razões para acreditar que a Europa irá prosseguir o seu caminho de recuperação. As restrições orçamentais no período de 2013-16 serão menores do que nos últimos três anos, o que deverá estimular o crescimento. Além disso, prevê-se que a nova coligação alemã liderada por Angela Merkel implemente políticas um pouco mais viradas para o crescimento, caracterizadas pelo aumento da despesa em infra-estruturas e pela introdução de um salário mínimo, o que poderá estimular o crescimento, não só na Alemanha, como em todo o continente europeu.


Os investidores começam a vislumbrar uma luz ao fim do túnel no caso da Europa, e até ao final de 2014 a maior parte da região deverá ter saído da recessão. A Europa continua a debater-se com problemas estruturais, e importa que os investidores não se tornem complacentes, mas a aceleração do crescimento e a redução dos défices indicam que a economia da Zona Euro poderá estar finalmente a recuperar.


Agarrar as oportunidades ao sair da crise
Se a retoma continuar no bom caminho, as acções europeias parecem estar bem posicionadas para, em 2014, melhorar o desempenho alcançado em 2013. Apesar de os ganhos obtidos nos últimos anos terem resultado, em certa medida, da flexibilidade da política monetária, uma economia em crescimento, apoiada pelo banco central, poderá conduzir a uma maior valorização do mercado de acções. As acções europeias já não são tão baratas como eram há um ano, mas esta diferença deve-se, em certa medida, ao desvanecimento da questão existencial que ainda pairava sobre o futuro da moeda comum na altura. E, apesar de as acções europeias aparentemente já não serem tão baratas, por existir maior certeza quanto ao futuro, as avaliações actuais não indiciam que sejam caras.

 

É na Europa que está sediado um grande número de empresas multinacionais de alta qualidade que geram receitas à escala global. Valendo-se da sua exposição a tendências mais fortes fora da Europa, estes grandes exportadores globais conseguiram manter as margens de lucro e obter um excelente crescimento durante a crise das dívidas soberanas, premiando os accionistas que foram capazes de lidar com crises intermitentes de volatilidade. Agora, numa altura em que as tendências económicas também estão a melhorar a nível interno, estão bem posicionados para conseguir um crescimento dos lucros. Embora as estimativas tendam a diminuir ao longo do ano, as previsões actuais dos analistas, no caso dos ganhos por acção do STOXX 600, apontam para um crescimento ligeiramente superior a 13% em 2014. Trata-se de uma melhoria que, caso se venha a concretizar, poderá ajudar a estimular os mercados de acções.


Poderá ser necessária uma abordagem mais selectiva
Apesar de a conjuntura macroeconómica na Zona Euro ter melhorado consideravelmente nos últimos trimestres, o ano de 2014 não estará isento de dificuldades. Em primeiro lugar, a retoma, por estar ainda a dar os primeiros passos, continua vulnerável a choques, erros estratégicos e outros contratempos. Além disso, importa que os investidores estejam cientes de que os retornos das acções e a volatilidade verificados nos últimos dois anos, acima e abaixo da média, respectivamente, são pouco característicos dos mercados em geral; como tal, deverão preparar-se para enfrentar eventuais sobressaltos no futuro. Finalmente, a avaliação que o Banco Central Europeu está a fazer ao sistema bancário europeu poderá dar alguma tranquilidade no que diz respeito à saúde do sector financeiro da região - ou poderá revelar novas fontes de preocupação.


Para enfrentar estas eventuais dificuldades e tirar todo o partido das oportunidades criadas pela retoma da região, os investidores de acções europeias poderão beneficiar de uma abordagem activa. Numa altura em que as oscilações do nível de risco, bem como as subsequentes ondas de pânico, parecem pertencer ao passado, espera-se que os investidores voltem a concentrar-se nos fundamentos específicos das acções, criando maior dispersão no desempenho - e mais oportunidades a explorar pelos investidores de activos.

 

 

Senior Sales Executive do JPMorgan

 

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