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Jorge Libano Monteiro 20 de Julho de 2006 às 13:59

A força israelita em Portugal !?

Os dramáticos acontecimentos que se vivem actualmente em Israel e no Líbano são um enorme factor de preocupação e é urgente que a comunidade internacional não deixe que este problema local se torne uma questão mundial com repercussões incalculáveis.

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Sem entrar na análise política da questão, sem tomar partido pelas razões que assistem a cada uma das partes em conflito, ou pelos interesses internacionais e indirectos que orientam a acção de cada parte, confesso que fiquei mais uma vez surpreendido com a capacidade demonstrada por Israel, e pelos israelitas, na defesa dos interesses que consideram, correctamente ou não, essenciais para a sua sobrevivência.

E dou comigo a pensar que estamos perante um exemplo de capacidade de entrega, de disponibilidade permanente ao serviço do país que Portugal deveria seguir. Embora ninguém deseje a sorte dos israelitas, obrigados a um permanente estado de alerta e prontidão para o combate, para a guerra, invejo-lhes o espírito de união e a capacidade de enfrentarem  os desafios que em cada momento identificam.

Como seria diferente Portugal se tivéssemos esta capacidade de nos unirmos nos momentos de maiores dificuldades, nos momentos em que o nosso futuro como país pode ser posto em causa. Por exemplo, se tivéssemos a capacidade de darmos as mãos perante questões de sobrevivência nacional como é o caso do excessivo défice público, a ineficiência da Justiça, a insustentabilidade da Segurança Social ou a má qualidade da Educação. Como seria bom se fossemos capazes de encontrar consensos alargados em torno de soluções claras e resultantes de debates profundos e participados.

Como seria diferente se tivéssemos a capacidade de olhar de frente os problemas que nos afectam e afrontar os «inimigos» de Portugal, identificando-os claramente através de análises realistas e competentes, de forma a podermos antecipar as «batalhas» e destruir à nascença as capacidades «bélicas» apontadas ao nosso País. Como seria interessante ver Portugal fazer ouvir a sua voz contra imposições externas, nomeadamente europeístas, que aceitamos passivamente. Como era importante se não deixássemos arrastar as situações, acabando por optar por soluções de cosmética e propaganda que apenas tornam o nosso País mais vulnerável.

Como Portugal seria diferente se, nas «linhas da frente da batalha», estivessem reunidos os melhores, os mais conhecedores das melhores tácticas, os mais interessados em garantir a vitória na luta e o sucesso do País. Pessoas escolhidas pelo seu saber e pelas provas já dadas e não apenas pela sua filiação partidária ou por «conhecimentos» e amiguismo.

Como seria diferente Portugal se tivéssemos real vontade de escrever a nossa própria História, de forçar uma linha de rumo - como os nossos primeiros fizeram ao combaterem de forma heróica os inimigos de então -, de procurar controlar o nosso próprio destino e o caminho que desejamos percorrer, mesmo que para tal seja necessário afrontar vozes internas e externas discordantes. Mas, para que isto venha um dia a  ser realidade, é essencial que cada português interiorize e assuma a sua própria missão no desenvolvimento do País, perceba que Portugal precisa do trabalho de cada um de nós para progredir.

Acredito que nos bastaria um pouco do espírito de luta dos povos envolvidos nesta dramática guerra no Médio Oriente, apenas um pouco mais de dedicação, de verdadeiro patriotismo, de capacidade de desinstalação, de procura do bem nacional acima do bem individual, e seria então possível darmos um novo impulso a Portugal.

Um impulso que urge dar já, antes de batermos no definitivamente fundo, antes de nos vermos perante um combate desigual e com desfecho preocupante pela sobrevivência do nosso País.

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