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José M. Brandão de Brito 15 de Outubro de 2015 às 00:01

A história (das taxas de juro) não se repete, mas rima

Caos será também o cenário que se estabelecerá se Portugal decidir abandonar o primado do rigor orçamental e o BCE decidir tirar o tapete ao Estado português.

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A FRASE...

 

"[Em Portugal, o] Programa de Aquisição de Dívida do Setor Público [do BCE] sobrepõe-se a tudo, por agora."

 

Marco Brancolini, analista do Royal Bank of Scotland, 7 de outubro de 2015

 

A ANÁLISE...

 

1) A convergência nominal imposta por Maastricht, primeiro, e, posteriormente, a adesão de Portugal ao euro valeram uma enorme redução do custo de financiamento do Estado. O país não resolveu todos os problemas estruturais, mas fez o suficiente para se qualificar para a moeda única. A extraordinária benesse financeira que daí resultou podia ter sido utilizada para reduzir impostos, pagar a dívida e executar os investimentos públicos críticos para o crescimento sustentado. Nada disso aconteceu.

 

2) O ajustamento imposto pela troika em 2011-14, primeiro, e, posteriormente, o programa de compra de dívida pública do BCE permitiram uma também extraordinária redução dos custos de financiamento do Estado português. O país não resolveu todos os problemas estruturais, mas fez o suficiente para se manter na moeda única. A extraordinária benesse financeira que daí resultou deveria ser utilizada para continuar a aliviar a ainda frágil condição financeira do país. Porém, o resultado das eleições de 4 de outubro configura um inegável aumento do risco de reversão do caminho de probidade financeira dos últimos anos.

 

3) A história não se repete porque a estrutura de governação da área do euro foi reforçada nos últimos anos para evitar a acumulação de desequilíbrios como os que precipitaram a crise de dívida soberana europeia em 2010.

 

4) Mas a história pode rimar. A insensibilidade dos investidores ao aumento do risco político pode ser vista como um convite ao abandono do rigor orçamental, ao invés de um estímulo para a continuação da restruturação de que o país tanto necessita e que agora, em tempos de retoma, exige menos sacrifícios. 5) Em 2011, os investidores consideraram que o risco de continuar a financiar o Estado português era demasiado elevado, precipitando o caos. Caos será também o cenário que se estabelecerá se Portugal decidir abandonar o primado do rigor orçamental e o BCE decidir tirar o tapete ao Estado português.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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