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A hora da economia real

Enquanto não colocarmos na primeira prioridade de todas as preocupações do país as Empresas e os Empresários, não encontraremos a solução para a criação da riqueza.

Já não é possível esconder ou ignorar a difícil situação económica e financeira do país.

Mantém-se, de uma forma estrutural – o que torna mais preocupante os vários indicadores – o deficit das contas do Estado, a estagnação do crescimento do produto, o crescimento do desemprego, os baixos indicadores de produtividade, a redução da capacidade competitiva do nosso aparelho produtivo, a inexistência de um incremento significativo das nossas exportações.

O país chegou, assim, à hora da verdade, ou seja, à hora da economia real.

O diagnóstico já foi feito e refeito várias vezes. Por vários intervenientes – políticos, analistas, macro economistas, professores vários. Com maior ou menor grau de conhecimento e de detalhe, a situação difícil que o país atravessa passou a ser compreendida e sentida pela maioria da população portuguesa.

Sejamos, assim, todos bem-vindos ao país real; às dificuldades reais; às opções difíceis reais; à economia real.

Mas, se existe já uma grande consciência sobre o diagnóstico, o mesmo não se passa em relação às vias de solução possíveis.

Em relação a este aspecto a grande maioria da população continua a acreditar que existe, e à espera que chegue, um salvador milagroso. Um D. Sebastião. Um governo providencial e mágico.

Este desvio de «focus» em relação à solução não faz mais do que adiá-la. Como vem acontecendo nos últimos anos no nosso país.

O nosso problema é um problema de criação e crescimento da riqueza. Que possa, posteriormente, ser distribuída.

As entidades que criam riqueza são as Empresas. Quem constrói e desenvolve Empresas são os Empresários.

Enquanto não colocarmos na primeira prioridade de todas as preocupações do país as Empresas e os Empresários, não encontraremos a solução para a criação da riqueza.

Os Heróis que vão salvar o país, são os Nossos Empresários, que criam e fazem crescer as nossas empresas. É pois, necessário, dar-lhes a palavra, ouvi-los, respeitá-los, acarinhá-los, apoiá-los, dignificá-los, estimulá-los.

Quando os empresários dizem que pretendem unicamente que o Estado não constitua um empecilho ao desenvolvimento das suas Empresas, temos de acreditar neles. E também, quando afirmam que os apoios se deviam concentrar nas empresas mais dinâmicas e exportadoras; que as Universidades, não fazem nenhum esforço para entender a realidade empresarial portuguesa; e que não podem gastar mais tempo a responder às burocracias dos serviços públicos e esperas intermináveis para aprovações de projectos, do que a preocuparem-se com o seu negócio e o modo de vencer a concorrência internacional.

Mas, é necessário ouvir os verdadeiros empresários, ou seja, os lideres e detentores reais das empresas portuguesas, que funcionam de um modo estabilizado e estruturado em economia de mercado. Que não se confundem com homens que se tornaram ricos em actos de especulação empresarial, alguns dos quais a roçarem a boçalidade, nem com pretensos representantes da classe empresarial, que já não detém ou nunca detiveram qualquer empresa relevante.

O senhor Presidente da República, que tem mostrado grande sensibilidade sobre este tema, poderia liderar este movimento de dar voz aos Verdadeiros Empresários. Para que sejam ouvidos com atenção. Para que se lhes criem condições para que eles possam criar mais riqueza. Para que sejam estimulados a rejuvenescer os seus quadros, requalificarem os seus trabalhadores e desenvolveram novos produtos e serviços para novos mercados. Para que a Economia Real passe para o Primeiro Nível de Prioridades do nosso País.

Ao Governo caberá a nobre e difícil tarefa de criar o melhor enquadramento para o desenvolvimento das empresas. Com uma administração pública amiga das empresas, uma justiça célere e eficiente, um ensino adaptado às necessidades das empresas portuguesas.

A Comunicação Social, em especial a especializada nos domínios económicos, poderá também desempenhar um papel essencial. Restaurando a dignidade dos verdadeiros agentes empresariais, separando o trigo do joio, elogiando a criação e acumulação de riqueza por via empresarial, honesta e esforçada.

Este processo de convergência de esforços é urgente.

Porque chegou a fora da verdade, ou seja, da economia real, para o nosso país.

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