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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 09 de Setembro de 2008 às 13:00

A hora da verdade

O discurso de Manuela Ferreira Leite, suave e honesto, tentou retirar o azeite da água quente. A mistura entre o ensurdecedor silêncio e a vontade, cada vez mais visível, do PSD querer ganhar as eleições, não estava a provar ser o melhor "gourmet" para a oposição. O silêncio de Manuela estava unicamente a servir para se entregar como refém aos inimigos.

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No ansiado discurso deste domingo, ela tinha de apresentar ideias, de estabelecer fronteiras e de mostrar que o Governo não podia surfar à vontade na sociedade portuguesa. O problema é que este foi um discurso ambíguo: acentuou os males da sociedade, que já conhecemos, e só iluminou com velas as soluções que o seu PSD tem para elas. O país continuou sem saber (excepto uma vaga menção à descida do IRC para as PME) o que quer efectivamente o PSD. Manuela não usou o estilo "bateu, levou!" de Luís Filipe Menezes. E ainda bem. Mas há algo que Manuela tem de entender. A luta pelo poder entre PSD e PS não é um jogo de ping-pong, ao estilo da diplomacia chinesa. Manuela tem de ser clarividente para escutar os focos de mal-estar da sociedade portuguesa (era ler, por exemplo, a entrevista de Rui Rangel no "DN" de domingo). Escutá-las, fazer com que elas ganhem um megafone mais sonante e apontar ideias concretas e alternativas sobre cada assunto. E não foi isso que fez. O seu discurso nem foi ofensivo, nem defensivo. Foi o representante de um velho estilo de futebol português: fez muitas fintas, não sofreu golos, mas também não os marcou.
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