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A ilusão da paz política e social

Quem tiver ouvido a discussão do programa do Governo na AR deve ter ficado surpreendido.

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Em vez de um primeiro-ministro arrogante (por vezes roçando a arruaça), populista e que só respondia ao que lhe interessava, surgiu alguém humilde e que respondia a tudo. Em vez de um ministro que copiava o chefe na arrogância (Silva Pereira), surgiu um ministro (Portas) com postura de Estado. Onde havia um ministro das Finanças "político", apareceu alguém que fala de números e que desarma os adversários com requintada ironia.

E do outro lado? Houve de tudo: críticas suaves e intervenções mais duras. Mas o tom geral foi mais cordato do que na anterior legislatura. Significa isto que estamos perante uma trégua política e social? Não. Daqui a meses, quando a austeridade começar a doer, a oposição vai endurecer. A começar pelo BE (na AR, Louçã mal conseguiu disfarçar o radicalismo). Mas também o PS, sobretudo se for Assis o eleito (foge-lhe o pé para o populismo): Pedro Marques, ex-secretário de Estado, falava como se não tivesse pertencido ao Governo que levou o país ao precipício.

O Governo tem de estar preparado para esta falsa paz social e política. Não perdendo a humildade, explicando as decisões ao pormenor (atenção aos casos Estaleiros de Viana e plafonamento das pensões...), preocupando-se com a justiça social (a fome é o fermento da violência), envolvendo o PS (afinal assinou o memorandum)…

Se há coisa de que o país não precisa neste momento é da agitação social que as corporações querem levar para a rua (a distinção face à Grécia também passa por aí). Mas isso é algo por que o Governo vai ter de lutar. Não pode tomar por adquirido.


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