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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 28 de Março de 2011 às 12:01

A nova fábula

Numa das suas belas fábulas, La Fontaine oferecia-nos o cinismo numa bandeja: "Divirtam os reis com sonhos, bajulem-nos, ofereçam-lhes amáveis mentiras."

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No mundo da política actual, poderia substituir-se "reis" por "cidadãos" e o resultado seria semelhante. Angela Merkel não consegue ser irónica como La Fontaine, e a palavra "humor" não faz parte do seu vocabulário. Elogiando José Sócrates, disse que o objecto (o primeiro-ministro português) lhe é indiferente, desde que o conteúdo (as medidas que quer ver concretizadas) seja executado. Ficou assim reiterada a excelente opinião que a senhora Merkel tem de si própria. E o papel de acessórios folclóricos que encontra nos líderes dos países periféricos. Um País pedinte não tem voz. Merece, quanto muito, uma festa na cabeça e um ossinho para roer. Desgraçadamente, Portugal está nesta posição por inacção própria. A demolição do PEC IV de José Sócrates só terá um efeito, para lá das eleições antecipadas: um PEC V. A única dúvida é saber quem o irá aplicar. Um novo ciclo nefasto foi inaugurado: o de ir aplicando tarde e nas piores condições possíveis as orientações da senhora Merkel. Como Passos Coelho já deixou antever na sua desastrada antevisão do aumento do IVA, depois do que andou a dizer no último ano. O IVA é o imposto mais cego que existe. Não se defende a justiça fiscal assim. E confirmar que o aumento do IVA é uma hipótese, no dia a seguir à derrota de Sócrates, é um tiro no pé. La Fontaine dizia que era coisa ligeira e que voava à toa de flor em flor e de objecto em objecto. Passos Coelho tem de ter cuidado para não se parecer com o criador de fábulas.
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