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Francisco Jaime Quesado 27 de Março de 2007 às 13:59

A nova vantagem competitiva da nação

Quando em 1993 Porter elaborou o célebre Relatório, encomendado pelo Governo Português de então, o diagnóstico sobre o que fazer e as áreas estratégicas de actuação ficaram clarificadas. Quase quinze depois, perante o impasse a que chegou o Velho Continen

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Quase quinze depois, perante o impasse a que chegou o Velho Continente na incapacidade de operacionalizar a Agenda de Lisboa e de marcar um ritmo positivo de competitividade e desenvolvimento nas suas dinâmicas internas, Portugal tem pela frente a batalha da mudança estrutural. Dinamizado o Plano Tecnológico, assumidas as prioridades dum "Novo Paradigma" de Desenvolvimento para o país, a aposta numa "Agenda de Mudança" torna-se prioritária. Ou seja. Torna-se um imperativo nacional mobilizar uma Nova Economia para potenciar uma verdadeira Economia Nova para o país.

Estamos perante uma nova dimensão na nossa abordagem europeia. Numa Europa a vinte e sete, com as dinâmicas económicas lideradas pela China e Índia potenciadoras de novas necessidades de equilíbrio macroglobal, nada pode ser igual. E Portugal tem que perceber e rapidamente internalizar na sua prática operativa esses sinais. Só sobrevive quem é capaz de ser competitivo e o salto da mudança coincide com um tempo de "reinvenção" do paradigma de estar, fazer parte e participar da "actividade europeia" com sentido de responsabilidade positiva permanente. Um acto de verdadeira "integração social moderna", onde se faça do desenvolvimento cultural da sociedade o motor duma inovação tecnológica permanente na atitude dos "actores sociais" liderantes.
 
Um Choque Operacional

É importante por isso perceber que a aposta nos Factores Dinâmicos de Competitividade, numa lógica territorialmente equilibrada e com opções estratégicas claramente assumidas é um contributo central para a correcção das graves assimetrias sociais e regionais que continuam a imperar. Falta por isso em Portugal um verdadeiro Choque Operacional capaz de produzir efeitos sistémicos ao nível do funcionamento das organizações empresariais. O "novo paradigma" da Economia Portuguesa radica nesse sentido na capacidade de os resultados potenciados pela inovação e conhecimento serem capazes de induzir novas formas de integração social e territorial capazes de sustentar um equilíbrio global do sistema nacional.

Uma breve radiografia à matriz sectorial da economia portuguesa demonstra de forma inequívoca as alterações contextuais produzidas ao longo destes últimos vinte anos, com os impactos demonstrados no crescimento evidenciados no gráfico anexo. Além do desenvolvimento de uma "nova economia de serviços", de âmbito eminentemente local e com impacto reduzido em matéria de criação de valor sustentado, é de referir também o fenómeno de progressiva desindustrialização, entretanto acentuado nos anos mais recentes e o ténue desenvolvimento de "novos clusters" associados às dinâmicas da Inovação e Desenvolvimento. Trata-se de uma evolução manifestamente assimétrica, com efeitos negativos em matéria de renovação dos indicadores activos de "capital estratégico" associados à qualificação dos recursos humanos e utilização eficaz da tecnologia como instrumento activo de competitividade estrutural.

O relatório Porter punha de forma clara a tónica em duas grandes áreas de intervenção sistémica – profunda renovação organizativa e estrutural dos sectores (sobretudo) industriais e aposta integrada na utilização da Inovação como factor de alavancagem de criação de valor de mercado.

A mobilização activa dos "actores económicos" numa lógica de pacto estratégico operativo permanente era uma condição central no sucesso desta nova abordagem, sob pena de intervenções isoladas não conseguirem produzir de facto os efeitos desejados. Passado todo este tempo, a leitura dos resultados não é nada abonatória – excluindo os muito conhecidos e divulgados casos de reconversão interna e sectorial conseguida com algum sucesso, na maior parte dos sectores industriais clássicos não foi feita a renovação necessária e os fechos de empresas e perda de quota efectiva de alguns mercados é o resultado mais do que evidente.

O Novo IDE

O Investimento Directo Estrangeiro desempenha neste contexto um papel de alavancagem da mudança único. Portugal precisa de forma clara de conseguir entrar com sucesso no roteiro do "IDE de Inovação" associado à captação de Empresas e Centros de I&D identificados com os sectores mais dinâmicos da economia – Tecnologias de Informação e Comunicação, Biotecnologia, Automóvel e Aeronáutica, entre outros. Trata-se de uma abordagem distinta, protagonizada por "redes activas" de actuação nos mercados globais envolvendo os principais protagonistas sectoriais (Empresas Líderes, Universidades, Centros I&D), cabendo às agências públicas um papel importante de contextualização das condições de sucesso de abordagem dos clientes. Trata-se da única oportunidade para os agentes económicos nacionais conseguirem induzir uma alteração do seu perfil de abordagem competitiva do mercado global, como as recentes Visitas de Estado à Índia e China demonstraram de forma inequívoca.

Uma nova realidade que também não pode ser esquecida tem a ver com as novas dinâmicas regionais. Na Europa das Regiões importa de forma clara que, ao longo do nosso território, se potencie um compromisso efectivo de equilíbrio em termos de desenvolvimento económico e social. Uma Economia Nova não se poderá sustentar à margem duma verdadeira política activa de fixação de "Pólos de Competitividade" segundo critérios de racionalidade estrutural. É por isso fundamental que a dinâmica de captação de "IDE de Inovação" seja uma demonstração operativa do aproveitamento activo dos diferentes "Centros de Competência" (Empresas Líderes, Universidades, Centros I&D) na abordagem das Oportunidades existentes na Economia Global. Não se poderá tolerar mais, de forma alguma, uma Competição desestruturada entre territórios em busca de apostas que têm que estar definidas à partida.

Uma Nova Economia, capaz de garantir uma Economia Nova sustentável, terá que se basear numa lógica de focalização em prioridades claras. Assegurar que o "IDE de Inovação" é vital na atracção de Competências que induzam uma renovação activa estrutural do tecido económico nacional; mobilizar de forma efectiva os "Centros de Competência" para esta abordagem activa no Mercado Global – mas fazê-lo tendo em atenção critérios de racionalidade estratégica definidos à partida, segundo opções globais de política pública, que tenham em devida atenção a necessidade de manter níveis coerentes de coesão social e territorial. Se Michael Porter voltasse a Portugal, não poderia dizer outra coisa. Por isso, torna-se um imperativo de identidade nacional saber que será sempre possível não desperdiçar esta nova oportunidade.

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