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Luis Macedo e Sousa 12 de Novembro de 2004 às 13:59

A pensar nas Autárquicas

A usura do tempo é de tal forma, que os mais empedernidos ideais políticos se esboroam perante a dura realidade.

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As conversas amenas e em momentos descontraídos têm destas coisas.

Ele, a viver um momento crítico na carreira política, declarou sem margem para dúvidas nem reparo aos presentes: «O homem sabe-a toda e faz o que tem de ser feito».

Insulta estes, a mesquinha aqueles, arrasa de uma penada os que não estão de acordo ou se lhe opõem?

«Faz muito bem, dá-lhes o que merecem, nunca é demais porque estão sempre a pedi-las». E coroou o raciocínio de forma arrasadora: «Vejam como a vida daquela gente tem melhorado, ao contrário de outros».

Lapidar, deixa escorrer a ideia de que o seu polimento não lhe permite ser como o outro, mas em política ganha-se quando se procede assim.

E afinal é justo – quando o ego é tremendo, a inconveniente expressão dos outros é um empecilho? «a pedir bengaladas à medida».

A usura do tempo é de tal forma, que os mais empedernidos ideais políticos se esboroam perante a dura realidade.

Tanto tempo e tanto esforço para obter poder e tanta incompreensão quando se chega lá.

Mas o exercício do poder produz obra permanentemente inacabada, donde, para quê mudar e mudar para quê?

Talvez para «os nomes» que se apresentem melhor colocados nas abundantes sondagens de opinião que se anunciam a nível local, divulgadas aliás de forma menos reflectida – se a ideia é, criar pressão sobre os adversários e mobilizar os fiéis, que dizer, na forma como são apresentadas, desta espécie de concurso de popularidade em que a política se converte perante a opinião pública?

Ultima-se o cardápio das escolhas possíveis, da tecnocracia mais clássica alegadamente super-competente mas, por natureza mecânica e impessoal, às expressões de populismo mais ou menos autoritário e as suas formas de gestão nos limites do endividamento e do risco.

É este o momento do emergir do povo das organizações políticas, na sua genuinidade para o melhor e para o pior, qual massa associativa dedicada que tem aqui a sua oportunidade de ir mais além do que dar o corpo ao manifesto nas campanhas ou arregimentar e ser parte nas disputas de facções.

Como sempre acontece, surge agora um incontornável mas delicado contratempo – antes de combater os outros, quem posicionar na grelha de partida, sem causar danos irreparáveis à estrutura?

É que os lugares são sempre poucos face à procura e a concorrência dentro de cada organização é de tal monta, que suaviza a etapa seguinte: a disputa entre intérpretes e propostas diferentes.

Quem pode ganhar?

Deixemos a questão em suspenso tomando a via mais fácil – dificilmente ganhará quem for carente de qualidades reais ou supostas de liderança versus autoridade, capacidades de gestão e de lhes associar uma dimensão afectiva e de estados de alma que cativem o mais insondável da natureza humana.

Um processo de decisão importante, perante comunidades e territórios locais expectantes.

De estabilidade, evolução, ou como ciclicamente acontece, de involução.

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