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A próxima revolução

Enquanto Portugal se perde na crise, o mundo não está parado. Há coisas que avançam e definem aquele que será o nosso futuro.

Enquanto Portugal se perde na crise, o mundo não está parado. Há coisas que avançam e definem aquele que será o nosso futuro. São novas tecnologias que emergem e que, embora praticamente desconhecidas da generalidade das pessoas, irão transformar radicalmente a nossa vida quotidiana.

A impressão 3D surgiu nos anos 80. Como é habitual, tratou-se inicialmente de máquinas rudimentares, caras e com uma capacidade muito limitada. Mas, a partir da década de 90, a evolução foi rápida e hoje é possível adquirir equipamentos sofisticados de custo acessível, 2 a 3 mil euros, com uma elevada fiabilidade. A tendência é para baixarem ainda mais o preço nos próximos anos. Temos, assim, máquinas que reproduzem qualquer objeto, em diversos materiais, com enorme detalhe. Um detalhe e precisão tão grandes que servem a produção industrial, a criação de protótipos e fabricação de peças, mas também como ferramenta essencial no design e na criação artística.

O princípio é simples. A partir de modelos CAD (de Computer Aided Design) estas máquinas operam de duas maneiras. Acumulam sucessivas e finas camadas até o modelo tridimensional estar completo ou subtraem material de um bloco. O resultado é sempre surpreendente.

O facto de a base ser um modelo computorizado não é displicente. Porque, se por um lado permite conceber a peça com um grande detalhe no espaço virtual, por outro faz com que a mesma possa ser enviada diretamente para uma máquina que se encontra noutro lugar. Ou seja, podemos construir uma peça no computador e imprimi-la do outro lado do planeta. Ou na nossa casa.

Isto abre portas a uma espécie de teletransporte ou, se se quiser, uma referência mais reconhecida, a um fax 3D. Coisa que já se faz na indústria e se começa a fazer para objetos de uso comum. Em vez de eu adquirir algo, posso simplesmente descarregar o modelo e fabricá-lo instantaneamente quando preciso dele. Imagine-se o potencial. No futuro não vamos ter tantos objetos em nossa casa, mas um pequeno aparelho, similar a um microondas, que fabrica aquilo que necessitamos, um utensílio doméstico ou um gadget qualquer. Uma vez usado, deita-se de novo para dentro da máquina para ser reciclado e tomar nova forma mais tarde. E, não menos importante, porque os modelos podem ser customizados, cada pessoa pode alterar, melhorar ou dar o aspeto e funcionalidade a seu gosto.

Sendo certo que muitas fábricas de produtos comuns depressa se tornarão obsoletas, não é menos relevante que muitas novas oportunidades se abrem. No futuro não teremos tantas fabriquetas, mas negócios de produção de modelos que podem ser adquiridos e manipulados. O setor da produção 3D vai assistir a um "boom", assim como a comercialização de modelos "online" que atualmente ainda é muito rudimentar. E, assim como hoje temos impressoras 2D por toda a parte, em breve teremos impressoras 3D no escritório, nas escolas e nas nossas casas.

Acresce um outro facto notável. Recentemente alguém usou uma impressora 3D para construir uma outra impressora 3D. E funciona perfeitamente. Pela primeira vez, temos máquinas capazes de se replicarem, num princípio que até aqui era domínio exclusivo da natureza. Com o desenvolvimento da inteligência artificial, amanhã teremos máquinas a se auto-regenerarem ou a criarem outras máquinas com novas funções.

Mas, sem recorrer ao que alguns ainda acham ser do domínio da ficção científica, fica claro que, por um lado, a possibilidade de envio de objetos tridimensionais à distância, e a manipulação individual e a gosto dos modelos, vai alterar profundamente a indústria, o comércio e a forma como nos relacionamos com as coisas comuns. Acaba-se a imensa tralha que acumulamos nas nossas casas e cada um passa a poder desenhar o seu próprio ambiente. As empresas vão deixar de nos propor coisas acabadas e fixas, mas, tal como já sucede na Internet, tenderão a comercializar ferramentas e modelos abertos à exploração criativa.

Fica pois o alerta neste tempo de crise. Vem aí nova revolução tecnológica. E é preciso agarrar o futuro. Já.


Este artigo de opinião foi escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

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