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A razão atendível

Não há política sem rupturas. Mas elas devem valer a pena. De outra maneira tudo não passa de uma sessão de hipnotismo sem sentido.

Há uma razão atendível para o PSD apresentar uma proposta de revisão constitucional. Esta Constituição está cheia de coisas que nunca foram cumpridas e que nem eram para o ser. Rasurar essa arqueologia não merece uma noite de sono mal passada. Mas a razão atendível do PSD para esta proposta não tem a ver com isso. É uma proposta de nova configuração ideológica do País. Quer colocar na lei fundamental o princípio de que Portugal se desloca da esfera pública para a esfera privada. Ou seja, quer estabelecer que este País se baseia no modelo de mercado e em hierarquias sociais definidas. A proposta quer criar um País que é uma extensão do ambiente empresarial. O PSD não quer rever a Constituição: quer dar-lhe um novo ADN ideológico. É um modelo que bebe no modelo americano de liberalismo, onde tudo se reconduz ao sucesso individual e das empresas. É uma proposta que deve ser debatida a essa luz: que modelo económico e social queremos para Portugal? Mas esquece o óbvio: como avançar com rupturas destas quando não vivemos num período de crescimento económico mas num de crise? Em que as classes médias de um País pobre consideram os serviços públicos de ensino e saúde e a segurança mínima do emprego as suas últimas barricadas contra o caos? Esta proposta do PSD, em nome da estabilidade, cria vertigens sociais. Foi o pior presente que o PSD poderia ter oferecido a Cavaco antes das presidenciais. Foi uma nova vida que deu a Sócrates.




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