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José M. Brandão de Brito 29 de Setembro de 2016 às 00:01

A restrição política

Os temas supranacionais (imigração, resgates a países periféricos ou recapitalização pública de bancos) passaram a ser uma restrição política ativa na maioria dos países da EU.

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A FRASE...

 

"Merkel não quer resgate público ao Deutsche Bank."

 

Económico, 6 de setembro de 2016 

 

A ANÁLISE...

 

A mesma líder que ofereceu três resgates multibilionários à Grécia, um à Irlanda, outro a Portugal e outro ainda ao setor bancário espanhol recusa-se, agora, a recapitalizar o mais importante banco europeu - Deutsche Bank - não obstante a queda do seu valor para mínimos históricos nesta semana. A recusa de Merkel em salvar o DB pode ser entendida como uma limitação decorrente das recentes restrições europeias a resgates públicos de bancos privados, mas tal interpretação poderá ser um pouco ingénua, uma vez que a UE é especialista em torcer as suas próprias regras ao mínimo sinal de desconforto. Então, porque foi Merkel magnânima com os países periféricos (e com a banca espanhola) no passado e espartana com o maior banco do seu país no presente? A razão reside no facto de que uma ajuda do Estado alemão ao DB à margem das regras europeias poder abrir as portas à recapitalização pública dos bancos italianos, algo cada vez menos popular junto do eleitorado alemão, que irá ser chamado às urnas em 2017. É provavelmente também esse o motivo que justifica a surpreendente indisponibilidade do BCE em estender o programa de compra de dívida pública, com prejuízo para os países mais fragilizados, como Portugal.

 

Até há pouco tempo, os governantes europeus puderam gerir as questões europeias sem receios de represálias eleitorais nos respetivos países. Agora já não é assim. Os temas supranacionais (imigração, resgates a países periféricos ou recapitalização pública de bancos) passaram a ser uma restrição política ativa na maioria dos países da UE, nos quais, a linha divisória do debate político à escala nacional deixou de ser esquerda/direita para passar a ser anti/pró-Europa.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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