Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Eduardo Moura emoura@mediafin.pt 21 de Abril de 2004 às 13:41

A retirada

A decisão de retirada das tropas espanholas do Iraque vale sobretudo pelas consequências imponderáveis que acarreta. Que são muitas e todas elas complexas.

  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

A decisão de retirada das tropas espanholas do Iraque vale sobretudo pelas consequências imponderáveis que acarreta.

Que são muitas e todas elas complexas.

Mas não se pode deixar de sublinhar que, depois do amaciamento geral da oposição franco-alemã ao militarismo de Bush, Zapatero é o primeiro líder europeu que se atreve, com aparente sucesso, a peitar o senhor do mundo.

Neste aspecto, é notável que quer a França, quer a Alemanha não tenham aproveitado para recuperar o argumentário anterior sobre o processo de devolução do poder político aos iraquianos.

É claro que Zapatero não teve de construir o edifício político que lhe permitiu chegar a esta situação.

Foi Aznar, com a sua política de protagonização internacional da Espanha e de subjugação ao «dictat» norte-americano coroada pelos atentados do 11 de Março, quem colocou Zapatero em condições de retirar o tapete a Bush.

Mas fica algum mérito para Zapatero já que começou o seu mandato com punho de ferro no assunto mais importante para os espanhóis e para o mundo e já que, de uma penada, afirma o seu protagonismo no cenário europeu e mundial.

Novato na alta esfera política, Zapatero entrou imediatamente para o clube dos grandes.

John Kerry, o desafiante democrata à renovação do mandato presidencial de Bush, é que perdeu o território preferencial de ataque à política bushista que lhe tinha rendido a simpatia de muitos norte-americanos.

Kerry, que sempre criticou Bush por incompetência na gestão do «dossier» Iraque, viu-se forçado a condenar a medida de Zapatero e com isto colou o seu discurso ao de Bush.

E como se isso não bastasse, também na questão dos assassinatos selectivos aos dirigentes dos Hamas, na velha linha estabelecida por Golda Meir depois da crise dos jogos olímpicos de Munique, Kerry alinha pelo mesmo diapasão de Bush e, sem pruridos, legitima a política israelita.

No final de contas, pode acontecer que Zapatero tenha acabado por facilitar a reeleição de Bush.

Ver comentários
Mais artigos de Opinião
Ver mais
Mais lidas
Outras Notícias