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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 01 de Outubro de 2008 às 13:00

A verdade da mentira

Há quem diga mentiras e, depois de as ver publicadas, acredite que são verdades. Não espanta, por isso, que a roleta russa de mentiras sobre a qual jogou o sistema financeiro mundial tivesse como maiores crédulos, os que as diziam. O problema é que a classe política correu atrás dessa mentira, como se ela fosse a ideologia global da verdade.

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Quase que apetece dizer que a classe política, dos EUA à Europa, abdicou dos princípios de D. Quixote (a acção com base na virtude) e se deixou embalar pelos ensinamentos de Maquiavel (o êxito final justifica todos os fins). Quando se vê a derrocada ruidosa do plano Paulson, vislumbra-se o choque entre estas duas noções da vida política. Muitos dos que votaram contra ele têm o seu lugar em jogo no Congresso e votarão pelo que a "Main Street" diz, e que os fará ser reeleitos. O inimigo ideal é Wall Street, mas essa rua de todos os pecados foi a que a maioria dos políticos americanos permitiu. E que agora, sentindo a mudança do vento, criticam como vampira, seguindo o sentimento dos eleitores. Nesta crise há muitos perdedores: Bush, muitos executivos de Wall Street que fizeram milhões de golpes mágicos, mas, sobretudo a classe política e o sistema norte-americano. Nos últimos anos, o suporte da democracia, a classe média, foi devastada por uma política económica global que não teve em atenção os atritos que estava a criar. O falhanço de Wall Street é um aviso à democracia. As classes médias falidas começam a estar disponíveis para um populista qualquer.
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