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Paulo Miguel Martins
05 de Janeiro de 2012 às 10:28

Actuar "bem" faz crescer

Para crescer no longo prazo, é necessário que cada um actue de forma a potenciar ao máximo as suas capacidades

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É um facto comprovado que a falta de ética está na origem da maioria dos escândalos financeiros, políticos e pessoais. São já muitos os maus exemplos de golpes baixos e de esperteza saloia praticados por indivíduos ou entidades que deveriam ter actuado correctamente e não o fizeram.

A autenticidade atrai e todos aspiram em fazer parte de equipas onde se puxa pelo melhor de cada um.

Como o que conta e se valoriza tantas vezes é o triunfo, seja a que preço for, avança-se para uma atitude de "vale tudo" desde que se obtenha "já e agora" o que se quer. Aparecem assim os resultados inflacionados, as conquistas espectaculares mas efémeras, as quedas a pique do alto dos pináculos dourados tudo "fachada".

Para crescer de uma forma constante e no longo prazo, é necessário que cada um actue de forma a potenciar ao máximo as suas capacidades. Isso é mais eficaz quando as suas acções são correctas. A pessoa sente-se leve, sem nada a esconder. Não age por medo nem receio, com temor de ser apanhada. Sabe-se livre para desenvolver os seus projectos. É transparente nas suas iniciativas, ágil e franco na apresentação das suas propostas.

Atitudes destas conquistam os outros. A autenticidade atrai e todos aspiram em fazer parte de equipas onde se puxa pelo melhor de cada um. Estimula-se a inovação e ganha-se o respeito tanto dos seus pares como do público em geral. Há credibilidade e o próprio sente-se impelido a continuar em frente. Nada teme e tudo o faz crescer.

Nos dois filmes seleccionados, cada protagonista possui o seu passado. Alguns sentem o peso de actos pouco correctos. Só quando tudo esclarecem e se sabem de consciência tranquila é que conseguem vencer! Seguem em frente e de cabeça bem erguida.

"Missão Impossível, operação fantasma"

Realizador: Brad Bird

Actores: Tom Cruise; Jeremy Renner

Duração: 133 min.

Ano: 2011

Um filme de acção e emoção, que vai ao encontro das expectativas do próprio título. No entanto, não se trata da mera continuação da saga protagonizada por Tom Cruise. O que faz a diferença neste caso é a escolha do realizador Brad Bird, responsável pelos filmes de animação da Pixar, "Os incríveis" e "Ratatui".

As sequências de acção vão sucedendo-se uma após outra num ritmo intenso em crescendo, revelando como é possível irem-se superando as dificuldades: sangue frio, boa análise da informação disponível, equipamento adequado, avaliação constante da estratégia seguida e planeamento correcto de novas acções. Mas o realizador quis deixar duas pistas que explicassem o êxito da missão. A primeira é a necessidade de se contar uns com os outros. Não é apenas trabalhar em equipa, mas criar e manter um tal espírito de união (onde não pode faltar o bom humor) que entre todos conseguem corrigir as falhas e necessidades do outro.

A segunda pista é que a unidade dentro de um grupo só se consegue com a confiança. Esta ganha-se quando não há dúvidas por esclarecer sobre o carácter de alguém. Cada um sabe e tem provas de que o outro actua correctamente e para o bem de todos. Sente que é estimado e desenvolve todas as suas potencialidades, correspondendo à confiança nele depositada.

Tópicos de análise

A necessidade de esconder algo do passado limita a actuação do indivíduo.

A confiança no seio de um grupo aumenta ao esclarecer com coragem os equívocos.

Só é possível conhecer as necessidades do outro quando há um interesse real por ele.

A confiança no seio de um grupo aumenta ao esclarecer com coragem os equívocos.

"A dívida"

Realizador: John Madden

Actores: Helen Mirren; Sam Worthigton; Jessica Chastain

Duração: 113 min.

Ano: 2010

Três agentes secretos israelitas infiltram-se em Berlim Leste no ano de 1965 para capturar um médico nazista responsável pela morte de inumeráveis judeus. A operação fora considerada um êxito e esses membros da Mossad enaltecidos.

Em 1997 ao ser publicado mais um livro narrando as suas façanhas, um desses elementos suicida-se. Os dois restantes encontram-se. Pouco a pouco vai-se descobrindo que o que se passara não era bem aquilo que tinha sido contado.

Através dos avanços e recuos da narrativa, vai-se criando um thriller de espionagem passado em plena guerra fria. Torna-se claro o significado individual e colectivo da importância da missão. A pressão sobre os agentes era enorme e para fugirem ao fracasso, aceitam encenar e viver uma farsa. Alcançam o êxito imediato.

São vistos como exemplares. Mas sabem que tudo é uma ilusão e apesar das aparências, as suas vidas vão-se destruindo e o objectivo continuava por atingir. Passados 30 anos os dois sobreviventes decidem actuar. Um deles vai contar tudo. Fica em paz consigo mesmo e livre de um peso para continuar a agir. Será essa atitude a que lhe permitirá vencer.

Destaca-se o papel da actriz Jessica Chastain como jovem agente, que em dois anos marca presença em filmes como "A árvore da vida" e "As serviçais".

Tópicos de análise

Construir uma vida enganando-se, destrói o respeito do sujeito sobre si mesmo.

O êxito baseado em falsidades acaba sempre por ser desmascarado.

Procurar a verdade e lutar por ela motiva e liberta a pessoa de constrangimentos.

O êxito baseado em falsidades acaba sempre por ser desmascarado.

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